Pesquisadores projetam que, se as emissões continuarem elevadas, haverá o dobro de eventos de rios voadores sobre a região até 2100 e um aumento de até 2,5 vezes na precipitação associada a eles
Um estudo recente publicado na Nature Communications alerta que a Antártica poderá enfrentar o dobro de eventos climáticos extremos até o fim do século, devido ao aumento dos chamados rios atmosféricos. Também chamados de rios voadores, são longas e estreitas faixas de ar úmido e quente que percorrem milhares de quilômetros, carregando e despejando grandes volumes de precipitação.
Com o agravamento das mudanças climáticas, cresce a quantidade de vapor de água na atmosfera, alimentando esses “rios aéreos” e tornando-os mais frequentes e intensos. Utilizando modelos climáticos de alta resolução e diferentes cenários de emissões de gases de efeito estufa, os pesquisadores projetam que, se as emissões continuarem elevadas, haverá o dobro de eventos de rios atmosféricos sobre a Antártica até 2100 e um aumento de até 2,5 vezes na precipitação associada a eles, o que pode afetar significativamente o equilíbrio de gelo no continente.

O impacto dos rios voadores na Antártica é duplo e complexo. De um lado, esses eventos podem causar chuvas intensas e derretimento superficial do gelo, enfraquecendo as plataformas de gelo e acelerando seu colapso — um processo que contribui diretamente para o aumento do nível do mar.
Por outro lado, eles também podem trazer grandes volumes de neve, o que ajuda a repor parte do gelo perdido para o oceano, atuando temporariamente como um fator compensatório.
Imprevisibilidade dos eventos climáticos
Apesar de o estudo apontar um possível aumento dessa precipitação em forma de neve, os pesquisadores destacam que o crescimento da umidade atmosférica tornará os eventos climáticos extremos mais frequentes e imprevisíveis.
Isso porque a camada de gelo da Antártica contém gelo suficiente para elevar o nível do mar global em até 60 metros, e qualquer mudança em sua estabilidade tem implicações globais significativas. Assim, embora as projeções atuais de aumento do nível do mar até 2100 variem entre 0,5 e 1 metro, os cientistas alertam que os rios voadores são um fator ainda subestimado nos modelos climáticos.

Por essa razão, compreender a frequência, intensidade e distribuição futura desses rios atmosféricos é essencial para aprimorar as previsões sobre o papel da Antártica no aumento do nível do mar global.
