Inovação com propósito amazônico- entrevista com Vania Thaumaturgo

“Com olhar estratégico e compromisso com o propósito amazônico, Vania Thaumaturgo, à frente do Polo Digital de Manaus e atuante no coletivo Jaraqui Valley, analisa a efervescência do ecossistema de inovação da região e propõe um novo ciclo: transformar oportunidades em impacto real com inclusão e visão de futuro”

A ENTREVISTA

Coluna Follow-Up

Por Alfredo Lopes, para o Brasil Amazônia Agora

1. O momento da inovação em Manaus

Vania: No coração da Amazônia, a cidade se consolida como um autêntico polo de inovação tecnológica, irradiando criatividade, ousadia e propósito. Iniciativas como o Jaraqui Valley, o Polo Digital e uma comunidade cada vez mais conectada de desenvolvedores, cientistas, empreendedores e gestores públicos são a prova viva de que algo grandioso está acontecendo. Essa efervescência não é fruto do acaso — é o resultado de uma jornada coletiva construída com coragem, colaboração e visão de futuro.

2. A vitrine da inovação amazônica

Vania: Para que o movimento de inovação na Amazônia se consolide como uma vitrine de oportunidades, é necessário darmos um passo além: precisamos de mais ousadia e visão sistêmica. Ainda há um espaço importante para fortalecer a articulação entre quem desenvolve soluções inovadoras e os atores institucionais responsáveis por ampliar sua escala, visibilidade e impacto. A ExpoAmazônia Bio&TIC surge como uma iniciativa concreta nessa direção.

3. Fomento com propósito

Vania: A Amazônia já começa a colher os frutos de investimentos importantes. Recursos provenientes da Lei de Informática, do BID, do BNDES e de outros mecanismos têm financiado projetos relevantes em pesquisa, desenvolvimento e inovação. No entanto, ainda falta uma estratégia ousada, capaz de articular esses esforços de forma coordenada e sustentável. Precisamos de um plano estruturado para criar e fortalecer Polos Digitais em toda a Amazônia.

4. Do centro à floresta: como expandir os efeitos da inovação

Vania: A inovação precisa sair do asfalto e alcançar o igarapé. Isso significa apoiar tecnologias adaptadas ao território — e isso só é possível ouvindo quem está lá. O Polo Digital já começou a mapear lideranças indígenas, quilombolas, periféricas e ribeirinhas que podem se tornar hubs de inovação local.

PROPOSITO AMAZONICO

5. Bioeconomia + TIC: uma aliança poderosa

Vania: O potencial da bioeconomia amazônica pode ser exponencialmente por meio das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs): com soluções como rastreabilidade de cadeias produtivas, plataformas digitais de comercialização, sensores ambientais e inteligência artificial aplicada à conservação e ao uso sustentável dos recursos naturais.

6. Startups com identidade amazônica

Vania: Empreender na Amazônia é um ato de resistência e de esperança. O que precisamos é apoiar os empreendedores que têm no coração a floresta e as pessoas. Programas de aceleração precisam considerar o tempo amazônico, as barreiras logísticas, os saberes tradicionais.

7. Potência jovem e engajamento digital

Vania: A juventude de Manaus é criativa, resiliente e intensamente conectada ao seu tempo. Mas, em um cenário de avanço acelerado da tecnologia, especialmente no setor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TICs), é urgente garantir que essa energia seja acompanhada pelo desenvolvimento das competências certas, no momento certo.

8. O elo com a Zona Franca de Manaus

Vania: A indústria precisa entender que apoiar startups não é filantropia — é estratégia de futuro. Grandes empresas que desejam permanecer relevantes no futuro precisam, hoje, fazer parte do ecossistema de inovação.

9. O futuro da inovação regional

Vania: Se a Amazônia quiser liderar um novo modelo de desenvolvimento, precisa fazer da inovação o seu norte. Não há transformação verdadeira sem investimento em pessoas, em educação de qualidade, em redes colaborativas que cruzem saberes tradicionais com tecnologias emergentes.

10. Mensagem aos inovadores da floresta

Vania: Acreditem: o momento é agora — e vocês são essenciais. Vocês não estão à margem. Pelo contrário: são o começo de algo novo, poderoso e necessário. Quem conhece a Amazônia de perto, quem sente os desafios do dia a dia, quem vive onde o Estado ainda não chegou, carrega dentro de si a centelha da inovação que pode transformar não só a região, mas o mundo.

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Alfredo Lopes
Alfredo Lopes
Alfredo é consultor ambiental, filósofo, escritor e editor-geral do portal BrasilAmazôniaAgora

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