O Inpa, o pinhão e o parque Parte II 

Cabeça Coluna Alfredo Lopes

O debate sobre a relação entre o Inpa, Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia, o pinhão-manso, seu potencial de biocombustível e o parque tecnológico que se esboça na relação entre as entidades da economia e da academia, foi sacudido pelas redes sociais com uma zoada bem intencionada envolvendo a escolha do novo dirigente da Suframa. É como se essa fosse a questão essencial do debate sobre o futuro deste modelo de desenvolvimento focado  em renúncia fiscal. A zoada tem um tempero xenófobo – absolutamente inaceitável, posto que  nativos à parte, sempre desconsiderados, todos somos estrangeiros  – e um alarmismo despropositado.  O debate mais urgente, tudo indica, sugere a definição daquilo que se espera daquela autarquia e, a partir disto, identificar as pessoas efetivamente qualificadas para topar a expectativa. Nomes se discutem a partir de propostas, que se colocam na mesa com prévias oitivas dos atores envolvidos na questão.  A começar pela população – aquela em nome da qual todo poder se deveria pautar como diz a Carta Magna –  as entidades representativas dos setores organizados de empreendedores, trabalhadores e demais associações,  o poder local, da Amazônia Ocidental  e o país: o que se espera da Suframa?

Na semana passada, as entidades diretamente ligadas ao polo industrial de Manaus, na sede da Federação das Indústrias,  reafirmaram a disposição de trabalhar em conjunto com o governador do Estado para “enfrentamento conjunto de desafios que nos são postos”.  Ninguém falou em nomes e sim em pactos, fundados na “…consciência clara de que iremos vencer os embates de sobrevivência e crescimento do modelo se estivermos coesos”, diz o documento das entidades do setor produtivo.  Nomes, promessas, a própria Lei… tudo se transforma em arroubos, passes de mágica, demagogia ou ideologia, no sentido da falsificação do real se não for precedida pelo pacto abrangente, coerente e representativo do tecido social. Por isso, promulgar a prorrogação da Zona Franca por mais 50 anos pode acabar virando arroubo eleitoreiro, caso não haja mobilização coletiva para resolver problemas agudos, antigos e crônicos, deste modelo de acertos.

Por isso, é ponto de partida e premissa essencial assegurar/recuperar a  autonomia da Suframa para pilotar a infraestrutura de transporte, energia e comunicação em toda a extensão de sua presença na Amazônia Ocidental. Para tanto, é necessário garantir que os fundos aqui arrecadados pelas taxas da Suframa e contribuições das empresas para Pesquisa & Desenvolvimento, deixem de ser confiscados, oficialmente desviados para pagar despesas do Programa Ciências Sem Fronteira, do ministério da Educação. Não procede a aplicação ilegal. Os estudantes não recebem desde setembro e as instituições parceiras desde o início do tal Programa.  Elucidadas essas anomalias, ficará mais fácil entender e reverter as razoes pelas quais este modelo está esvaziando seus polos e tem boicotado a consolidação de um novo, o de bioindústria, o mais coerente com a vocação regional de negócios. Por que não agitar essa bandeira nas redes sociais? Esclarecido o imbróglio, aí sim, cabe discutir nomes e temas como o Inpa, sua cartela preciosa e arquivada de coleções e inventários, entre os quais  o pinhão-manso, seu cultivo experimental nos municípios excluídos do Sistema Interligado de energia no país, e sua transformação em item prioritário de pesquisas para a produção de biocombustível regional no Parque Tecnológico de Produtos Regionais para a Zona Franca de Manaus.  Um ponto de partida com perspectiva clara da utopia que queremos alcançar….

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal Brasil Amazônia Agora

Artigos Relacionados

Desmatamento na Amazônia cai 35% e atinge menor área em 20 anos 

Desmatamento na Amazônia atinge a menor área para junho em 20 anos, com queda de 35% nos alertas registrados pelo Inpe.

El Niño tem 81% de chance de chegar a nível “muito forte” em 2026

El Niño pode atingir intensidade muito forte no fim de 2026, alerta NOAA, elevando riscos de calor, tempestades e mudanças nas chuvas.

Amazônia, chips e soberania tecnológica

A história da Zona Franca sempre esteve associada à...

Quando a sustentabilidade deixa de ser discurso e passa a ser preparo

"A recorrência de eventos extremos na Amazônia transformou a...

Ciência homenageia Vozinha, goleiro de Cabo Verde, ao batizar nova lesma-do-mar 

Vozinha inspira o nome de uma nova espécie de lesma-do-mar descoberta no Caribe após se destacar por Cabo Verde na Copa de 2026.