Câmara aprova projeto de flexibilização do licenciamento ambiental no Dia de Proteção às Florestas

O texto dispensa a necessidade de licenciamento ambiental para ampliação de estradas e atividades de agricultura e pecuária e também libera a renovação automática da licença

Em 17 de julho, data dedicada ao Dia de Proteção às Florestas, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto que flexibiliza as regras para concessão de licenças ambientais no Brasil. A proposta prevê procedimentos mais simples para obtenção das autorizações, inclusive por meio de autodeclarações, o que levanta preocupações sobre a possível redução na fiscalização e no controle ambiental. Também dispensa a necessidade de licenciamento para ampliação de estradas e atividades de agricultura e pecuária e também libera a renovação automática da licença.

A medida segue agora para a sanção presidencial, etapa final para decidir se o projeto se tornará lei. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode vetar integral ou parcialmente o texto, mas o Congresso tem poder para derrubar os vetos.

Texto dispensa o licenciamento ambiental para quatro atividades agropecuárias, inclusive a pecuária extensiva.
Texto dispensa o licenciamento ambiental para quatro atividades agropecuárias, inclusive a pecuária extensiva. | Foto: Marcello Casal Jr. / Agência Brasil

Apesar disso, especialistas e membros do governo ouvidos pelo portal Um Só Planeta apontam que as mudanças podem enfrentar contestações judiciais, por representarem riscos ao equilíbrio ambiental e à governança sobre o uso dos recursos naturais.

Entidades ambientais criticam a aprovação

O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) divulgou nota criticando a proposta. Segundo a entidade, que acompanha queimadas e desmatamento na Amazônia e no Cerrado, a nova legislação enfraquece as exigências legais para atividades com alto potencial de impacto, como obras de infraestrutura, manutenção de estradas e instalações voltadas ao agronegócio.

Dia Nacional da Mata Atlântica: o que está em jogo para o bioma com a nova lei de licenciamento ambiental.
Dia Nacional da Mata Atlântica: o que está em jogo para o bioma com a nova lei de licenciamento ambiental | Foto: Renato Augusto Martins/Wikimedia Commons

Suely Araújo, ex-presidente do Ibama e atual coordenadora de políticas públicas do Observatório do Clima, também condenou a medida. Para ela, a aprovação representa um “crime histórico” contra o meio ambiente e compromete a imagem do Brasil no cenário internacional, especialmente em um momento em que o país busca se firmar como liderança na agenda climática global.

Isadora Noronha Pereira
Isadora Noronha Pereira
Jornalista e estudante de Publicidade com experiência em revista impressa e portais digitais. Atualmente, escreve notícias sobre temas diversos ligados ao meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável no Brasil Amazônia Agora.

Artigos Relacionados

Sociobioeconomia: Redes da Amazônia recebem até R$ 11,7 milhões

Redes da Amazônia avançam na sociobioeconomia e poderão receber até R$ 11,7 milhões cada para fortalecer negócios comunitários.

Tornados no Brasil: por que o país é o segundo mais propenso do mundo 

Tornados no Brasil chegam a 81 registros em 2026 e podem bater recorde; entenda a influência do El Niño, das massas de ar e do clima.

Quando a inteligência precisa de território

"A Amazônia precisa decidir se continuará exportando apenas recursos...

Quando a inteligência começa a governar o desenvolvimento da Amazônia

"A Amazônia aprendeu a construir fábricas antes de aprender...

Por que a Zona Franca de Manaus nunca deixa de ser questionada?

“Atravessando governos, reformas tributárias e mudanças profundas na economia...