USP testa “vacina para plantas” que reduz uso de inseticida

A “vacina para plantas” consiste em um fungo que, ao colonizar os tecidos da planta, melhora sua capacidade de resistência e ainda atrai predadores das pragas, fortalecendo o sistema de defesa natural da cultura

Pesquisadores da Esalq/USP descobriram que o fungo Metarhizium robertsii, já conhecido por eliminar pragas, também pode funcionar como um ativador natural das defesas da cana-de-açúcar, atuando como uma espécie de “vacina para plantas”. O estudo, que investigou como esse fungo interage com as plantas e os insetos, aponta para uma alternativa biológica promissora, capaz de diminuir o uso de inseticidas químicos e ampliar o controle sustentável de pragas na agricultura.

Segundo matéria do Jornal da USP, a análise considerou fatores como a produção de fitormônios, a liberação de compostos voláteis e a resposta de insetos predadores naturais, como a vespa Cotesia flavipes e a tesourinha Doru luteipes, ao fungo. Os testes foram feitos em plantas com e sem a presença da broca-da-cana, praga que mais afeta a lavoura. O fungo, ao colonizar os tecidos da planta, melhora sua capacidade de resistência e ainda atrai predadores das pragas, fortalecendo o sistema de defesa natural da cultura.

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foto: Thomas Kinto/Unsplash

Ao mesmo tempo em que atua no controle de pragas, a vacina para plantas potencializaria a atratividade de inimigos naturais, como a mosca Cotesia flavipes, para controlar a broca-da-cana, contribuindo para a sustentabilidade da cultura da cana-de-açúcar ao oferecer uma abordagem de manejo de pragas de baixo impacto ambiental.

“Plantas inoculadas com o fungo apresentaram alterações significativas nos níveis de compostos secundários responsáveis pela defesa da planta contra pragas, como os ácidos jasmônico e salicílico, além de mudanças nas emissões de compostos voláteis, tanto durante o dia quanto à noite”, explica o pesquisador Marvin Mateo Pec Hernández, engenheiro agrônomo formado pela Universidad de San Carlos de Guatemala e doutorando em Entomologia pela Esalq, autor do trabalho.“Nas plantas ainda não infestadas pela broca-da-cana, observamos uma redução na colocação de ovos pela praga.”

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Cana-de-açúcar – Foto: PxHere
Isadora Noronha Pereira
Isadora Noronha Pereira
Jornalista e estudante de Publicidade com experiência em revista impressa e portais digitais. Atualmente, escreve notícias sobre temas diversos ligados ao meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável no Brasil Amazônia Agora.

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