No dia seguinte, sem a ZFM, perde o comércio e o agro; ganha a indústria

Cuidemos da ZFM porque ela ajuda o amazônida ainda não suficientemente estruturado para alavancar sozinho sua economia. Cultivemos e cuidemos do PIM porque ele é a base da ZFM. O jogo hoje é ganha-ganha; no Day After terá perdedores.

Juarez Baldoino da Costa
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Mesmo sem a Zona Franca de Manaus, quando ela terminar, o Brasil vai continuar consumindo bicicletas, aparelhos de ar condicionado, motocicletas, smartphones, TVs e uma série de outros artigos produzidos no PIM – Polo Industrial de Manaus.

Estes fabricantes, sem a ZFM, vão continuar atendendo o mercado nacional, ou importando de suas matrizes no exterior ou produzindo em outro local do país, e devem continuar mantendo suas margens globais de resultado. O comprador deverá pagar um pouco mais pelo mesmo produto que hoje ainda compra do PIM.

A indústria é nômade desde a revolução industrial de 1800, e se instala onde melhor lhe convier economicamente.

Fora da ZFM, a indústria vai poder ganhar mais por produzir sem precisar ter pessoal operacional a viajar 4.000 Km para visitar a fábrica em Manaus, não vai mais precisar cumprir o PPB – Processo Produtivo Básico obrigatório para fazer seu produto com os incentivos fiscais no PIM, e a logística será menos complexa e de menor custo. Não vai também precisar renovar laudos e licenças vinculadas ao gozo de incentivos fiscais.

Quem perderá é o comércio (mais os serviços) e o agronegócio, que atendem o consumidor residente do Amazonas, no dia seguinte ao término da ZFM.
Vão perder e vão perder mais do que perderam com a abertura pela globalização da economia promovida pelo governo Collor da década de 90.

Os lojistas tradicionais e os de shoppings, os magazines, os supermercados, as tabernas, os setores de alimentação e outros, todos enfim que atendem pelo varejo e até o atacado, na capital e no interior, devem perder boa parte dos clientes entre os 100 mil trabalhadores diretos do PIM e os 500 mil indiretos que gravitam em seu entorno, e com um poder aquisitivo que até então tem permitido a expansão do comércio inclusive para outras regiões do Amazonas.
Perde ainda o interior rural, que vai ter menos compradores de sua macaxeira, do seu cheiro verde, da carne e da galinha, e não vai mais receber parte da ajuda financeira que o filho manauara manda todo mês.

Cuidemos da ZFM porque ela ajuda o amazônida ainda não suficientemente estruturado para alavancar sozinho sua economia.
Cultivemos e cuidemos do PIM porque ele é a base da ZFM.

O jogo hoje é ganha-ganha; no Day After terá perdedores.

Juarez Baldoino da Costa 2
Juarez Baldoino da Costa é Amazonólogo, MSc em Sociedade e Cultura da Amazônia – UFAM, Economista, Professor de Pós-Graduação e Consultor de empresas especializado em ZFM.
Juarez Baldoino da Costa
Juarez Baldoino da Costahttps://brasilamazoniaagora.com.br/
Juarez Baldoino da Costa é Amazonólogo, MSc em Sociedade e Cultura da Amazônia – UFAM, Economista, Professor de Pós-Graduação e Consultor de empresas especializado em ZFM.

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