Em 94% das empresas no Brasil, metas climáticas avançam quando trazem benefícios financeiros

Segundo a análise, quando o sucesso com as metas climáticas mexe no bolso das diretorias de empresas, ele caminha mais depressa

A saúde da economia e a saúde do planeta estão essencialmente ligadas: um exemplo disso é a perspectiva de que as mudanças climáticas podem reduzir o PIB global em 50% nas próximas décadas. Segundo um relatório recente, essa conexão econômica-ambiental também ocorre dentro das empresas e desempenha um papel central nas decisões dos executivos de investirem – ou não – em avanços nas metas climáticas corporativas.

Divulgado pela organização CDP (Carbon Disclosure Project), o relatório CDP Corporate Health Check, apresenta dados sobre o progresso corporativo na transição energética e no cumprimento de metas climáticas. Apesar do ritmo ainda insuficiente, o estudo aponta estratégias eficazes que podem servir de exemplo. Uma delas é justamente vincular as metas climáticas à remuneração dos executivos.

Segundo a análise, 80% das empresas globalmente consideradas “no caminho certo” adotam essa prática. Na América Latina, o percentual sobe para 89%, e, no Brasil, alcança 94%, evidenciando que quando o sucesso climático impacta financeiramente as lideranças, o avanço se torna mais rápido e efetivo.

Em 94% das empresas no Brasil, metas climáticas avançam quando trazem benefícios financeiros
Em 94% das empresas no Brasil, metas climáticas avançam quando trazem benefícios financeiros | Foto: Freepik

Sherry Madera, CEO do CDP, destacou que as empresas que integram clima e natureza em suas estratégias, governança e planejamento financeiro estão liderando a transformação necessária. “No entanto, a realidade é que muitas empresas permanecem à margem, e os formuladores de políticas devem intensificar para recompensar a liderança positiva da Terra e acelerar a transformação de que nosso planeta precisa urgentemente”, afirma. Apenas uma em cada 10 empresas está incorporando decisões positivas para o planeta em seus modelos de negócios, enquanto muitas apenas atendem ao mínimo necessário.

Durante a apresentação dos últimos dados no Fórum Econômico Mundial, evento iniciado na segunda (20) que discute anualmente os rumos da economia global em Davos, na Suíça, Madera enfatizou a importância do monitoramento para que as empresas compreendam sua situação atual. Esse conhecimento é essencial para que as lideranças adotem ações concretas, promovendo negócios mais sustentáveis com retornos financeiros e ambientais positivos.

Proteger o planeta enquanto se busca lucro é possível

De acordo com os dados do relatório do CDP, o desempenho da capitalização de mercado de empresas alinhadas com metas de emissões tem variado entre os setores. Enquanto líderes climáticos nos setores de transporte, vestuário e serviços superaram aquelas que não estão no caminho certo, o oposto ocorreu em algumas indústrias de altas emissões.

A análise mostra que empresas que assumem uma posição de liderança podem impulsionar mudanças. No entanto, muitas outras empresas precisam intensificar suas ações para reduzir emissões e enfrentar os impactos ambientais. Além disso, os formuladores de políticas precisam criar condições que apoiem e recompensem decisões positivas para o planeta.

Dentre as principais alavancas de negócios puxadas por empresas que usam seus dados para progredir nas metas climáticas, são apontadas a remuneração de executivos, precificação de carbono, planos de transição climática e engajamento de fornecedores.

Estudo inédito traça cenários para a transição energética justa e abandono gradual de exploração do petróleo e uso de fósseis

Impactos de Donald Trump

Em Davos, uma análise do Financial Times sugere que, apesar da agenda anti-ambiental do novo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a expectativa é de que outros países não sigam o mesmo caminho em relação a metas climáticas. Nos próprios Estados Unidos, a oposição aponta que desmontar a agenda climática não será fácil, já que grandes indústrias, incluindo o setor de petróleo, estão avançando na transição energética.

Além disso, o movimento de Trump pode trazer impactos negativos à economia americana, como perda de empregos e renda para seus eleitores, além de desencadear uma fuga bilionária de investimentos, segundo um estudo independente. Isso reforça a resistência de setores estratégicos e a importância de políticas climáticas para manter a competitividade econômica.

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

Nova enzima sustentável na indústria de papel promete corte de poluentes

Nova enzima sustentável na indústria de papel reduz químicos tóxicos e avança com solução baseada em resíduos agrícolas e bioeconomia.

Idesam oferece até R$ 200 mil em prêmios no Desafio Bioinovação Amazônia

Idesam abre inscrições para desafio de bioinovação na Amazônia, com prêmios de até R$ 200 mil e apoio técnico para soluções sustentáveis.

Água em risco: como a poluição ameaça a vida nos rios do planeta e o que pode ser feito agora

Com a maior rede hidrográfica do planeta e uma biodiversidade aquática extraordinária, o país está no centro desse debate. Ao mesmo tempo, enfrenta desafios conhecidos: saneamento insuficiente, poluição por mineração, expansão agrícola e impactos das mudanças climáticas. A Amazônia, por exemplo, já apresenta sinais de contaminação por plásticos e outros poluentes, evidenciando que nem mesmo regiões consideradas remotas estão imunes

Terras raras no Brasil entram no centro da disputa por soberania nacional

Terras raras no Brasil entram na disputa global, com Lula defendendo soberania mineral diante de pressões externas e impactos ambientais.