Kerry alerta para risco de conflitos geopolíticos travarem cooperação climática global

A Conferência de Segurança de Munique realizada na última sexta (18/2) encomendou uma pesquisa global com 12 mil pessoas em 12 países, entre eles o Brasil. Os resultados indicam que a mudança climática é vista como uma ameaça maior do que a guerra pela maioria das pessoas que vivem em algumas das principais economias do mundo.

Os dados foram apresentados a diplomatas e oficiais militares que participaram do evento. Para os entrevistados, a preocupação com o aquecimento global, a destruição do habitat e o clima extremo são os três principais riscos. Os resultados chamam a atenção porque as pesquisas coincidiram com os primeiros relatos da escalada da tensão entre a Rússia e a Ucrânia. A Bloomberg trouxe os detalhes.

Mas para John Kerry, enviado climático dos EUA, as tensões geopolíticas, incluindo a atual crise entre a Rússia e a Ucrânia, podem prejudicar os esforços internacionais para conter o aquecimento global. Durante a Conferência, Kerry advertiu que o aumento do custo da energia causado pela crise política pode elevar a cautela na tomada das duras e necessárias medidas para se reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

Também durante o evento, Alemanha e EUA entraram em confronto sobre a energia nuclear. Kerry disse que cortar as emissões rapidamente exigia alguma dependência da energia nuclear. Já Franziska Brantner, secretária de Estado parlamentar no Ministério da Economia e membro do Partido Verde, defendeu o plano da Alemanha de usar o gás como combustível de ponte à medida que elimina a energia nuclear e o carvão.

Segundo a Reuters, o governo de Joe Biden vem pressionando a Alemanha para abandonar o projeto do gasoduto Nord Stream 2, que aumentaria a dependência do país ao gás russo. “O gás pode ser usado como combustível de transição e pode ser mais do que isso a longo prazo, se alguém vier com armazenamento e utilização de captura de carbono. Mas ainda não terminamos essa jornada”, disse Kerry.

Kerry e Brantner também discordaram sobre a energia nuclear poder ou não ser transferida para países mais pobres para ajudá-los a reduzir as emissões de energia do carvão. Kerry disse que há pesquisas promissoras nos EUA que abordam as questões de proliferação, lixo nuclear e segurança ligada a usinas nucleares. Brantner, cujo partido Verde tem suas raízes no movimento antinuclear dos anos 70 e 80, disse que a Alemanha não usaria o dinheiro dos contribuintes para transferir know-how de energia nuclear para países em desenvolvimento devido ao risco de proliferação nuclear.

Para a AP, Kerry disse que os EUA e a União Europeia estão conversando sobre planos para evitar que os produtores domésticos sofram por causa das importações de países sem medidas rigorosas de redução de emissões. “Qualquer país que leva a sério o clima não será passivo em competir com países que não o são”, declarou.

Fonte: ClimaInfo

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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