Chuvas atingem 169 municípios, deixam cerca de 1,2 mil pessoas fora de casa e mantêm o alerta para novas enchentes no Rio Grande do Sul.
Pouco mais de dois anos após a catástrofe climática de 2024, o estado voltou a registrar inundações, danos à infraestrutura e retirada de moradores de áreas de risco. As enchentes no Rio Grande do Sul atingiram 169 municípios e deixaram cerca de 1,2 mil pessoas fora de casa, entre desalojadas e acolhidas em abrigos. As ocorrências incluem alagamentos, quedas de árvores, destelhamentos, bloqueios de estradas e destruição de pontes. Embora alguns rios tenham começado a baixar nesta quinta-feira (23), a Defesa Civil mantém atenção especial às bacias do Taquari, Caí e Jacuí.
Em Lajeado, o Rio Taquari superou 22,5 metros e inundou ruas e bairros. Cerca de 500 moradores passaram a noite em um abrigo no Parque do Imigrante. Em Cachoeira do Sul, famílias próximas ao Rio Jacuí foram retiradas preventivamente. São Jerônimo também registrou evacuações após o transbordamento. Um dos episódios mais simbólicos ocorreu em Feliz, no Vale do Caí. A Ponte da FelizCidade, reconstruída pelos moradores depois de ser destruída em 2024 e novamente em 2025, voltou a ser levada pela correnteza. Reinaugurada em março, a estrutura perdeu as duas cabeceiras após o Rio Caí atingir 5,9 metros. O município acumulou 42 milímetros de chuva em seis horas.
Volumes elevados e novos temporais
Segundo o coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil, coronel Luciano Chaves Boeira, alguns municípios receberam cerca de 200 milímetros de chuva em menos de 24 horas, sobretudo nas cabeceiras do Rio Taquari. A rápida elevação do rio exige vigilância, principalmente nas áreas mais baixas da bacia. A previsão indica melhora temporária no leste gaúcho, mas novas chuvas podem atingir o estado na próxima semana. As projeções variam, com acumulados estimados entre 80 e 90 milímetros e maior possibilidade de impacto no Nordeste Gaúcho.
Os níveis permanecem abaixo dos registrados em maio de 2024, quando o Taquari chegou a 24 metros entre Estrela e Lajeado. Na ocasião, cerca de 478 dos 497 municípios gaúchos foram afetados. A Defesa Civil ressalta, porém, que o estado atravessa um ano de El Niño, condição que pode ampliar o risco de novas enchentes no Rio Grande do Sul.
Travessias alagadas ampliam perigo
Em Ciríaco, um motorista de 80 anos precisou ser resgatado depois que seu carro foi arrastado por um rio que transbordou sobre uma estrada. Ele foi retirado com uma retroescavadeira e não sofreu ferimentos graves. O caso reforça a orientação de nunca atravessar vias inundadas. A correnteza pode deslocar veículos, mesmo quando a água parece rasa, além de esconder buracos, bueiros abertos e cabos energizados.
Diante das enchentes no Rio Grande do Sul, a população deve acompanhar os alertas oficiais e cumprir ordens de evacuação. Antes da entrada da água, a recomendação é desligar a energia, proteger documentos e preparar um kit com água, alimentos, medicamentos e lanternas. Durante a inundação, deve-se evitar contato com a água contaminada e buscar áreas elevadas. O retorno às residências só deve ocorrer após autorização das autoridades. Na limpeza, é necessário usar botas e luvas, desinfetar superfícies com água sanitária e descartar itens como medicamentos e alimentos atingidos pela água.