Guerra das vacinas: Amazonas recebe 306 mil doses de imunizante

Enquanto isso, movimentos de todas as partes pedem urgentemente que sejam identificados e punidos os responsáveis pela tragédia da falta de oxigênio nos hospitais de Manaus, causador de tantas perdas de vidas.

Alfredo Lopes
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Habemus vaccinus!!! O grito ecoou pelo país afora. Não exatamente em latim, mas na linguagem universal da euforia e do alívio. Entretanto, é claro para quem acompanha no dia-a-dia essa epopeia, muitas vezes travestida de prosopopeia, o calvário ainda não terminou. Em toda Região Norte, para se ter uma ideia, somente 2346 dos idosos receberão vacina nesta primeira fase. Deficientes físicos, profissionais da saúde e a população indígena terão um percentual mínimo neste início da imunização. Mas já é um começo e a resiliência tem sido uma das virtudes mais assimiladas pelo povo brasileiro. A expressão latina significa já temos vaca. Isso mesmo. O cientista que descobriu a vacina da varíola constatou que as pessoas que ordenhavam vacas estavam imunes ao vírus porque se contaminaram inicialmente pelo vírus bovino. No caso da COVID-19 a vaca foi para o brejo.

Primeiro a chegar

Alfredo Lopes 2
Alfredo Lopes é filósofo, consultor do CIEAM e editor-geral do portal Brasil Amazônia Agora

Um dos primeiros a chegar na reunião simbólica, promovida pelo ministério da Saúde, o governador do Amazonas, Wilson Lima, recebeu, na manhã desta segunda-feira (18/01), as primeiras doses da vacina contra Covid-19 das mãos do ministro Eduardo Pazuello. O estado contará com 256 mil doses, mais 50 mil do governo paulista, para aplicação no grupo prioritário da população. Em seguida, Wilson Lima viajou para Brasília, para se reunir com o presidente Jair Bolsonaro. Vale lembrar que a única vacina disponível e já entregue, com absoluta prioridade ao estado do Amazonas, é a “vacina da China”, assim chamada pelo presidente da República. Coube ao Instituto Butantan , laboratório de reconhecida competência Internacional, testar e aprovar, em cooperação com o laboratório Sinovac, chinês.

Na contramão do interesse público

Reflexo da guerra pela presidência da República, em 2022, a corrida pela vacina teve episódios constrangedores. Um deles foi a compra e o cancelamento seguido da compra por parte do Ministério da Saúde, o que significou apertadíssima saia justa para o corpulento ministro. Especialista em espetáculo de marketing eleitoral, o governador João Dória soube aproveitar a comoção mundial com a tragédia do oxigênio para anunciar a doação de 50 mil doses para o Amazonas. Aloprado, afirmou com veemência que não havia 1 centavo do governo federal para a fabricação da vacina em São Paulo. Nesta manhã, foi apresentado um documento em que aparece o depósito feito pelo SUS em favor do Instituto Butantan. Enquanto essa peleja promete grandes sensações, o Brasil é um dos últimos países da comunidade internacional a aprovar vacinas para o combate da COVID-19. Quantos morreram esperando a vacina?

Pandemia x panaceia

Entre os constrangimentos do belicismo eleitoral, sobrou para a Anvisa desmentir Bolsonaro. No final da reunião, transmitida ao vivo, para confirmar a liberação das vacinas, diretores da Agência reafirmaram que “não existe tratamento precoce nem remédios cientificamente comprovados”, na contramão do que o Ministério da Saúde anda receitando à população.
Enquanto isso, movimentos de todas as partes pedem urgentemente que sejam identificados e punidos os responsáveis pela tragédia da falta de oxigênio nos hospitais de Manaus, causador de tantas perdas de vidas.

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal Brasil Amazônia Agora

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