Chega de sabotar a Ciência no Brasil – Pela manutenção do FNDCT

A salvação do Brasil passa pelo investimento em pesquisa e desenvolvimento. Ouça o alerta de Adalberto Val, ex-diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e leia o documento da Academia Brasileira de Ciências.

Adalberto Val 2
Adalberto Val é pesquisador e ex-diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia

“Todos sabemos que a ciência é fundamental para a nossa qualidade de vida, para nossa saúde, e para nossa segurança. Contudo, fazer Ciência requer investimento de longo prazo. Uma fonte importante de financiamento da pesquisa no Brasil é o FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). No entanto, os recursos desse fundo tem sido contingenciados, inviabilizando os investimentos em Ciência e Tecnologia.

O Projeto de Lei Complementar 135/2020, foi aprovado na Câmara e no Senado por ampla maioria. Mas foi vetado, em sua essência, pela Presidência da República. A Academia Brasileira de Ciências (ABC) produziu uma revista conclamando a derrubada desses vetos. O portal BrasilAmazôniaAgora também tratou dessa questão.Convido a todos para conhecer os documentos no site da Academia, e no portal BAA. Junte-se aos que apoiam a derrubada dos vetos! Para que se possa manter as atividades científicas no Brasil. Todos pela ciência! – que é fundamental para a Amazônia e para o Brasil!”

Adalberto Luís Val
A fala de Adalberto Val na íntegra

Manifesto da ABC

academia brasileira de ciencias pela derrubada dos vetos PLP 135 2020 FNDCT

Confira aqui, na íntegra, o teor do manifesto da Academia Brasileira de Ciências:

Luiz Davidovich presidente ABC 1
Luiz Davidovich é Presidente da Academia Brasileira de Ciências sobre o veto do FNDCT

Prezado(a) parlamentar,

Nos últimos anos, vimos observando, com preocupação, a drástica redução dos recursos públicos destinados à ciência e à tecnologia no Brasil. Sabemos da importância que este setor tem para o desenvolvimento socioeconômico do país.

Por isso, comemoramos, no ano passado, a oportuna aprovação do Projeto de Lei Complementar (PLP) no 135/2020, que, entre outras medidas, proibiu o contigenciamento do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) e transformou-o em fundo financeiro, o
que permite que recursos não utilizados em um ano sejam aproveitados no ano seguinte.

Infelizmente, essas vitórias estão ameaçadas por veto presidencial. Assim, deixamos aqui nosso pedido de seu voto para derrubada dos vetos do PLP 135/2020, que inviabilizam o FNDCT.

Nas páginas a seguir, esclarecemos a importância deste Fundo para o futuro do país. Ciência, afirmamos, gera desenvolvimento, e é crucial para o Brasil garantir as condições necessárias para que isso aconteça.

Contando com seu apoio, agradecemos desde já.

Luiz Davidovich
Presidente da Academia Brasileira de Ciências

Releia também o manifestação do portal BAA sobre o assunto, no artigo “O que querem os Amazônidas?”

Chega de confisco

O BAA assinou e disseminou o manifesto de uma centena de entidades científicas, acadêmicas e tecnológicas, já com quase 80 mil assinaturas, para reverter dois vetos do presidente da República que confiscam R$ 9 bilhões do fomento à Ciência, representado no Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). Num contexto de pandemia e de atrofiamento da pesquisa nas instituições do Brasil, o confisco promove desvio grave de finalidades de um Fundo que é recolhido exclusivamente pelas empresas, notadamente por aquelas instaladas na Zona Franca de Manaus. O FNDCT foi criado em 1969 para expandir ciência e tecnologia no país. Em 1995, Brasil, China e Coreia do Sul tinham o mesmo PIB, mas já apostavam sempre percentuais diferenciados para a Ciência. Em média, investimos sempre a metade dos demais em C&T&I. Por isso nosso atraso e o elevado estágio de civilização dos países asiáticos. Por isso, também, seguiremos perdendo 1200 vidas a cada dia. Os governantes subestimaram a COVID-19, desprezaram o poder das vacinas, e radicalizaram o descaso com a Ciência. O resultado não podia ser diferente da morte e o vexame de ampliação do atraso. Cabe finalizar com a pergunta inversa: o que o Brasil quer da Amazônia se despreza a cadeia do conhecimento em detrimento de sua Bioeconomia redentora?”

Igor Lopes
Igor Lopeshttps://brasilamazoniaagora.com.br/
Igor Lopes é diretor de conteúdos do Portal

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