Com crise hídrica e clima extremo, pesquisadores recorrem a fungos e bactérias para restaurar florestas

A técnica envolve a interação entre microrganismos, plantas e o solo, permitindo que o reflorestamento se torne mais eficaz diante da crise hídrica e instabilidade climática

Diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas ao reflorestamento global, pesquisadores do Paraná lideram uma resposta inovadora por meio do projeto NAPI Biodiversidade: RESTORE (natuRe-basEd SoluTions for imprOving REforestation). A proposta consiste no uso de microrganismos benéficos, como fungos e bactérias, para aumentar a sobrevivência e resiliência das mudas em áreas degradadas. O projeto é uma iniciativa pública que busca aplicar soluções baseadas na natureza, promovendo o crescimento das plantas mesmo sob condições climáticas extremas, como secas prolongadas causadas pela crise hídrica e chuvas intensas.

A técnica envolve a interação entre microrganismos, plantas e o solo, permitindo que o reflorestamento se torne mais eficaz diante da instabilidade climática. Segundo dados do MapBiomas, mais de 46% das iniciativas de reflorestamento já são afetadas pelas mudanças climáticas, o que evidencia a urgência de abordagens inovadoras como a do RESTORE para garantir a sustentabilidade e a efetividade dessas ações ambientais.

Com crise hídrica e clima extremo, pesquisadores recorrem a fungos e bactérias para restaurar florestas.
Com crise hídrica e clima extremo, pesquisadores recorrem a fungos e bactérias para restaurar florestas | Foto: Divulgação

Por trás do projeto estão pesquisadores de instituições como a Universidade Estadual de Londrina (UEL), a Universidade Estadual de Maringá (UEM), a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e a Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP). 

Soluções baseadas na natureza

Os pesquisadores do projeto RESTORE vêm desenvolvendo materiais biodegradáveis — entre eles tubetes, espumas, hidrogéis e bandejas de germinação — produzidos a partir de resíduos da agroindústria. Outro avanço relevante é o uso de bactérias isoladas de solos florestais, capazes de aumentar o crescimento das mudas, melhorar a captação de carbono e fortalecer a resistência à seca.

Segundo André Oliveira, pesquisador da iniciativa, os microrganismos promovem o desenvolvimento radicular das plantas, permitindo maior hidratação dos tecidos, manutenção da integridade das membranas celulares e recuperação eficaz após situações de estresse hídrico.

Com crise hídrica e clima extremo, pesquisadores recorrem a fungos e bactérias para restaurar florestas.
Com crise hídrica e clima extremo, pesquisadores recorrem a fungos e bactérias para restaurar florestas | Foto: Divulgação

Nos ecossistemas em que o projeto já atua, os pesquisadores isolaram mais de 2,8 mil fungos e bactérias e os submeteram a análises filogenéticas e funcionais. As cepas com maior potencial para estimular o crescimento das plantas e aumentar sua resistência ao estresse foram testadas em mudas de quase 40 espécies arbóreas.

Oliveira destaca ainda que é essencial que esses resultados não se limitem a artigos científicos, mas que haja uma integração com os públicos interessados, como agricultores, gestores ambientais e comunidades locais, a fim de ampliar o impacto positivo da tecnologia.

Isadora Noronha Pereira
Isadora Noronha Pereira
Jornalista e estudante de Publicidade com experiência em revista impressa e portais digitais. Atualmente, escreve notícias sobre temas diversos ligados ao meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável no Brasil Amazônia Agora.

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