“Minas fantasmas” ajudam a lavar ouro ilegal na Amazônia, aponta Greenpeace

Relatório do Greenpeace revela como o ouro ilegal na Amazônia é lavado em permissões inativas e entra em cadeias globais sem rastreabilidade.

A extração de ouro ilegal na Amazônia tem alimentado um esquema de lavagem que permite a entrada do metal em cadeias internacionais de comércio. A denúncia faz parte de um novo relatório do Greenpeace Brasil, publicado na quarta-feira (3), que aponta o uso de “minas fantasmas” para encobrir a origem ilícita do ouro ilegal na Amazônia, extraído em áreas protegidas e territórios indígenas.

Segundo a organização, essas minas aparecem formalmente como áreas autorizadas para exploração mineral artesanal, mas estão inativas ou não produzem o volume declarado. Mesmo assim, são usadas para registrar ouro retirado ilegalmente de outras regiões, permitindo que o metal seja incorporado ao mercado como se tivesse origem regular.

O relatório aponta que a fragilidade dos mecanismos de fiscalização e a falta de um sistema efetivo de rastreabilidade facilitam a circulação do ouro ilegal na Amazônia. Sem controle confiável sobre a origem do metal, a produção associada ao garimpo clandestino consegue chegar a refinarias, centros comerciais e cadeias de suprimento internacionais.

Alta do ouro aumenta pressão sobre a floresta

A valorização do ouro no mercado global tem intensificado a pressão sobre a Amazônia. Em um cenário de instabilidade internacional, o metal passou a ser visto como ativo de segurança, o que elevou seu preço de cerca de € 35 para € 140 por grama nos últimos sete anos. Apenas em 2025, a alta chegou a 60%.

Esse aumento tornou a atividade garimpeira ainda mais lucrativa e estimulou invasões em unidades de conservação e terras indígenas. De acordo com o Greenpeace, a devastação associada ao garimpo já atinge quase 100 mil hectares de florestas protegidas no Brasil.

Além do desmatamento, a mineração ilegal provoca danos profundos aos rios, à fauna e às comunidades locais. O uso de mercúrio para separar o ouro contamina os cursos d’água e ameaça populações que dependem da pesca e de outras atividades ligadas aos ecossistemas amazônicos.

Impactos sociais e avanço do crime organizado

O avanço do garimpo ilegal também tem consequências sociais graves. A atividade está associada ao aumento da violência, da disseminação de doenças, da exploração sexual e do tráfico de pessoas em áreas vulneráveis da Amazônia.

Comunidades indígenas estão entre as mais afetadas. Além da contaminação ambiental, a presença de garimpeiros compromete a segurança alimentar, afeta práticas agrícolas tradicionais e aumenta a pressão sobre os modos de vida dos povos originários.

O Greenpeace afirma ainda que o esquema de lavagem do ouro ilegal na Amazônia se conecta a redes criminosas com atuação em diferentes partes da região. A presença dessas organizações amplia os riscos para as populações locais e dificulta o combate à atividade ilegal.

O novo documento complementa o relatório “Toxic Gold”, publicado em 2025, ao mostrar como o ouro extraído ilegalmente pode percorrer cadeias internacionais pouco transparentes até chegar a mercados ligados ao Canadá e à Europa. Para a organização, a falta de transparência na cadeia do ouro agrava a destruição ambiental e contribui para aproximar a Amazônia de um ponto crítico.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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