A China quer saber de onde vem a carne brasileira e o desmatamento entrou na conta

Novo selo reconhecido por importadores chineses rastreia a cadeia da pecuária brasileira e pode valorizar a carne sem desmatamento no exterior. 

A China, principal compradora da carne bovina brasileira, deve passar a reconhecer uma nova certificação socioambiental criada para comprovar que o produto não está ligado ao desmatamento. O selo Beef on Track (BoT), desenvolvido pelo Imaflora, entrou em fase piloto e busca ampliar a rastreabilidade da cadeia pecuária nacional.

A iniciativa foi formalizada por meio de uma carta de interesse assinada entre o Imaflora e a Tianjin Meat Association (TMA), entidade que representa empresas do setor de carnes na China. Outros oito importadores chineses também aderiram ao documento, sinalizando interesse em comprar carne sem desmatamento do Brasil com comprovação de conformidade socioambiental.

O BoT foi inspirado no modelo conhecido como “boi China”, padrão exigido pelo mercado chinês para importar carne bovina do Brasil. A regra, que inclui rastreabilidade e abate de animais antes dos 30 meses, ajudou a impulsionar mudanças na cadeia produtiva e contribuiu para reduzir emissões do setor em cerca de 5,8 milhões de toneladas de CO₂ equivalente em 2022.

Agora, a expectativa do Imaflora é que a certificação de desmatamento zero produza efeito semelhante, associando a carne brasileira a critérios ambientais mais rigorosos e abrindo espaço para possível valorização comercial do produto. A proposta também busca alcançar outros biomas além da Amazônia, especialmente regiões produtoras interessadas em ampliar o acesso ao mercado chinês.

Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), a China responde por 47% das exportações brasileiras de carne bovina. Por isso, a adesão de importadores chineses ao selo pode criar um novo incentivo econômico para produtores e frigoríficos que comprovem boas práticas socioambientais e invistam em carne sem desmatamento.

O BoT parte de uma estrutura já existente no país. Desde 2009, grandes frigoríficos que atuam na Amazônia Legal precisam cumprir o Termo de Ajustamento de Conduta firmado com o Ministério Público Federal, conhecido como TAC Carne Legal. O acordo exige controle sobre a origem dos animais comprados, impedindo a aquisição de gado proveniente de áreas com desmatamento ilegal, trabalho escravo ou invasão de Terras Indígenas.

As auditorias independentes realizadas no âmbito do TAC são reconhecidas pelo novo selo. Com isso, o Brasil já possui cerca de 2,2 milhões de toneladas de carne sem desmatamento aptas a receber a certificação Beef on Track, mesmo com o programa lançado há apenas oito meses.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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