Tráfico de cavalos-marinhos movimenta R$ 118 milhões e expõe falhas na proteção de espécies marinhas

No tráfico de cavalos-marinhos, esses animais são frequentemente utilizados na medicina tradicional e muitas vezes contrabandeados junto com marfins de elefantes e escamas de pangolim

Entre 2010 e 2021, cerca de cinco milhões de cavalos-marinhos foram contrabandeados globalmente, segundo um novo estudo publicado na Conservation Biology. O valor estimado desse tráfico ilegal chega a CAD$ 29 milhões — o equivalente a mais de R$ 118 milhões. As apreensões ocorreram em 62 países, com os animais geralmente transportados secos por aeroportos, em bagagens de passageiros, ou por via marítima.

Os cavalos-marinhos, frequentemente utilizados na medicina tradicional, foram muitas vezes contrabandeados junto com marfins de elefantes e escamas de pangolim, o que evidencia que o tráfico de espécies marinhas ocorre em escala semelhante ao de espécies terrestres.

Quase 5 milhões de cavalos-marinhos foram contrabandeados em 10 anos, diz estudo.
Quase 5 milhões de cavalos-marinhos foram contrabandeados em 10 anos, diz estudo — Foto: David Clode/Unsplash

“As quase 300 apreensões que analisamos foram baseadas apenas em registros online e divulgações voluntárias, incluindo avisos governamentais e notícias. Isso significa que o que estamos vendo é apenas a ponta do iceberg ”, diz a autora líder da pesquisa, Sarah Foster, em comunicado. Assim, o tráfico de cavalos-marinhos pode ser muito maior do que as estatísticas atuais sugerem.

Comércio legal da espécie

O comércio internacional de cavalos-marinhos é legalmente permitido, mas apenas sob condições rigorosas estabelecidas pela CITES (Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Flora e Fauna Selvagens Ameaçadas de Extinção). Para que esse comércio ocorra, é necessário obter licenças específicas que assegurem que as populações naturais não serão prejudicadas, garantindo assim a sustentabilidade da atividade.

Esse acordo conta com a adesão de 184 países, incluindo o Canadá e membros da União Europeia. No entanto, os requisitos legais e a dificuldade em comprovar a sustentabilidade fazem com que muitos interessados recorram à clandestinidade. O problema se agrava devido à escassez de dados sobre apreensões, especialmente de espécies marinhas, o que dificulta o monitoramento efetivo e o combate ao tráfico de cavalos-marinhos.

Tráfico de cavalos-marinhos movimenta R$ 118 milhões e expõe falhas na proteção de espécies marinhas.
Tráfico de cavalos-marinhos movimenta R$ 118 milhões e expõe falhas na proteção de espécies marinhas | Foto: Hoang Do Huu/Project Seahorse

“Precisamos tornar o comércio sustentável e legal viável o suficiente para que as pessoas obedeçam às leis e garantir que também tenhamos meios de dissuasão suficientes para coibir atividades ilegais”, reforça Foster.

Isadora Noronha Pereira
Isadora Noronha Pereira
Jornalista e estudante de Publicidade com experiência em revista impressa e portais digitais. Atualmente, escreve notícias sobre temas diversos ligados ao meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável no Brasil Amazônia Agora.

Artigos Relacionados

Meu partido é o Amazonas, meu candidato é a Zona Franca de Manaus

As escolhas eleitorais permitem uma leitura sobre a importância...

Há 46 propostas no Congresso para enfraquecer unidades de conservação e 18 dos autores foram reeleitos 

Eleições 2026: 18 autores de propostas que ameaçam unidades de conservação foram eleitos, sendo 14 para a Câmara e quatro para o Senado.

Europa tem o verão mais quente já registrado, aponta Copernicus

Verão mais quente na Europa Ocidental agrava seca, incêndios e riscos à saúde, com rios na menor vazão desde 1992, segundo o Copernicus.

O Einstein no Amazonas: das parcerias à saúde que precisa chegar ao interior

“Telemedicina, formação profissional e pesquisa aplicada começam a formar...