Inmetro reposiciona a regulação como aliada da competitividade na Amazônia

Confira a Entrevista com presidente Márcio Brito concedida exclusivamente ao Portal Brasil Amazônia Agora

A maior aproximação entre o Inmetro e o Polo Industrial de Manaus sinaliza uma mudança relevante na relação entre regulação e produção. Como o senhor enxerga esse movimento?

Márcio Brito – Essa aproximação é essencial para alinhar a atuação do Inmetro às necessidades da Amazônia e do Polo Industrial de Manaus, transformando a regulação em instrumento de competitividade. Ao simplificar normas, reduzir custos de conformidade e agilizar processos, sem abrir mão da qualidade e da segurança, contribuímos para um ambiente de negócios mais previsível e atrativo a investimentos. A avaliação da conformidade e a acreditação também ampliam o acesso dos produtos do Polo a mercados globais.


A distância dos centros de certificação sempre pesou sobre a indústria da Zona Franca. O que muda com o fortalecimento da infraestrutura metrológica na região?

Márcio Brito – A distância dos centros de certificação impõe custos adicionais e prazos mais longos ao Polo Industrial de Manaus, criando uma assimetria que buscamos corrigir. A estratégia passa pela expansão da infraestrutura metrológica e da avaliação da conformidade na região Norte. Com mais laboratórios e organismos acreditados localmente, aproximamos os serviços de quem produz, reduzimos o custo amazônico e ganhamos agilidade na inovação e no lançamento de produtos.


Márcio Brito – O Programa Regional de Desenvolvimento da Infraestrutura da Qualidade (ProdIQ), instituído pela Portaria nº 390/2023 e ampliado pela Portaria nº 782/2025, já apresenta resultados concretos na Amazônia. Entre eles, a acreditação do Laboratório de Ensaios de Produtos (LabEP), da UEA, para ensaios em isqueiros, além da adesão do GP-QAT e do Centro de Bionegócios da Amazônia, que avançam para acreditação em áreas como meio ambiente, alimentos e bioinsumos.

No curto prazo, o objetivo é ampliar o número de laboratórios acreditados. No médio prazo, reduzir custos, diminuir a dependência de outras regiões e fortalecer a infraestrutura da qualidade como base para a competitividade e o desenvolvimento regional.


Márcio Brito – O novo Regulamento Geral de Certificação de Produtos traz regras mais claras, harmonizadas e previsíveis, o que é decisivo para setores de alta rotatividade tecnológica. A atualização automática dos regulamentos permite a adoção mais ágil de padrões atualizados, encurtando o time-to-market. Instrumentos como o termo de compromisso e as auditorias remotas também contribuem para reduzir a burocracia, sem comprometer a segurança.

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Quem é Márcio André Oliveira Brito?

É o atual presidente do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia). Ele é engenheiro ambiental e especialista em metrologia que assumiu o cargo em março de 2023. Ele tem focado sua gestão no fortalecimento da infraestrutura da qualidade, na modernização e no Programa Nova Indústria Brasil. Foi presidente do Ipem-AM (Instituto de Pesos e Medidas do Amazonas) por 12 anos antes de assumir o cargo federal.


Até onde é possível reduzir custos regulatórios mantendo padrões de qualidade e segurança?

Márcio Brito – A redução de custos regulatórios é uma prioridade, e é possível avançar na desburocratização sem flexibilizar padrões. O foco está na otimização dos regulamentos e na ampliação da transparência, com maior previsibilidade e normas modernizadas.

Desde 2023, o Inmetro aderiu ao plano de desburocratização do MDIC e passou a publicar agendas regulatórias bienais, ambas com metas pactuadas no contrato de desempenho com o Governo Federal.


Como equilibrar as demandas do Polo de Manaus com padrões nacionais e internacionais?

Márcio Brito – Esse equilíbrio se dá por meio de escuta ativa e diálogo permanente com a indústria, sempre com rigor técnico e alinhamento internacional. A proposta é transformar demandas regionais em melhorias que possam beneficiar todo o país, sem criar exceções isoladas.


Qual o papel do Inmetro na certificação de produtos da floresta?

Márcio Brito – O Inmetro atua na estruturação de rastreabilidade, normas técnicas, acreditação de laboratórios e métodos metrológicos, assegurando que os produtos da floresta atendam a padrões internacionais.

Exemplos incluem a quimiotipagem de madeira em tempo real e metodologias para fitoterápicos, que fortalecem a bioindústria local e ampliam sua inserção global.


Como a certificação ajuda a enfrentar a concorrência desleal?

Márcio Brito – A exigência de requisitos mínimos de segurança e o novo selo físico-digital do Inmetro tornam a certificação uma ferramenta importante no combate ao comércio ilegal. A fiscalização tem sido intensificada, inclusive no ambiente digital, com iniciativas como a Delegacia Cibernética e a atualização do arcabouço regulatório para incluir plataformas e sites.


Como o Inmetro apoia a transição tecnológica das empresas do Polo?

Márcio Brito – Com a Portaria nº 171/2026, foi criado o Programa de Classificação da Maturidade da Indústria 4.0, que avalia processos, tecnologia e organização. A iniciativa apoia decisões de investimento e oferece segurança jurídica para enquadrar projetos como PD&I, contribuindo para ganhos de eficiência e competitividade.

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Qual é a visão do Inmetro para o futuro da Amazônia?

Márcio Brito – A Amazônia é estratégica na visão do Inmetro. O objetivo é integrar a região à infraestrutura nacional da qualidade, ampliando laboratórios e serviços e reduzindo desigualdades.

Na bioeconomia, há uma oportunidade concreta de posicionar a região como vitrine global de inovação sustentável, com produtos rastreáveis e de alto valor agregado, tendo o Inmetro como parceiro da indústria nesse processo.

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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