Um começo alvissareiro para a COP 30

A floresta começa a valer o que sempre valeu

Enfim, o mundo começa a ouvir a floresta. O anúncio da Noruega, comprometendo US$ 3 bilhões ao novo Fundo Global para Florestas Tropicais (Tropical Forests Forever Facility – TFFF), lançado pelo Brasil, inaugura a COP 30 com um sinal de esperança concreta. Somam-se a esse aporte as contribuições do Brasil e da Indonésia, além do apoio da França, consolidando uma frente internacional em torno da floresta em pé.

O Brasil, pela primeira vez, lidera não apenas pela retórica, mas pela proposição de um instrumento financeiro global que transforma o discurso de conservação em mecanismo econômico. É o reconhecimento de que o maior ativo climático do planeta não pode continuar sendo tratado como “causa”, mas como fundamento da sobrevivência coletiva.

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Em março de 1992, em Manaus, Gro Harlem Brundtland, primeira ministra da Noruega, entrega ao então governador Gilberto Mestrinho, um exemplar de seu best-seller, Nosso futuro comum, que norteou a Conferência da Terra, da ONU, a Rio-92, celebrada no Brasil.

O Brasil na dianteira: da retórica à governança

Ao sediar a COP 30 em Belém, o Brasil assume o protagonismo de quem propõe soluções e não apenas reivindica compensações. O TFFF nasce com a meta ambiciosa de mobilizar US$ 25 bilhões em recursos públicos e até US$ 100 bilhões da iniciativa privada.

Não se trata de um fundo simbólico, mas de um modelo de governança ambiental e econômica: premiar países e comunidades que mantêm suas florestas em pé, remunerando serviços ecossistêmicos e reorientando o eixo da economia global.

A entrada da Noruega, tradicional parceira do Fundo Amazônia, tem efeito simbólico e prático. É um selo de confiança internacional e uma aposta na capacidade brasileira de liderar o que pode ser a maior virada civilizatória deste século.

COP30
 THEPALMER | Crédito: Getty Images

O silêncio que fala alto

Mas se há sinais de luz, há também sombras. A ausência dos Estados Unidos e de seus aliados, habituados a ditar a agenda climática, fala alto e diz muito. Revela um movimento de retração geopolítica — uma tentativa de enfraquecer qualquer protagonismo do Sul global que ameace a ordem de dependência econômica e energética.

A União Europeia, por sua vez, acaba de apresentar metas climáticas tímidas e decepcionantes. O continente que se proclamava vanguarda da sustentabilidade parece hesitar justamente quando a história exige coragem.

Enquanto o Norte calcula seus custos, o Sul paga a fatura ecológica da humanidade. Ainda assim, é daqui — da Amazônia, da Indonésia, da bacia do Congo — que surge a nova diplomacia da esperança.

Entre a celebração e a vigilância

Celebrar esse início é um dever moral. US$ 3 bilhões destinados à conservação não são mera promessa — são o alicerce de um novo pacto. Mas é preciso vigilância: de nada adiantará um cofre cheio se o dinheiro não chegar às comunidades que guardam a floresta, aos povos que a cultivam, às empresas que inovam com a floresta em pé.

A Amazônia não precisa de piedade, precisa de parceria. O Brasil não pede caridade, propõe um novo contrato civilizatório. E o mundo, se quiser existir, precisa ouvir.

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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