“Mapa do Caminho de Baku a Belém” defende nova arquitetura financeira global para investir US$ 1,3 trilhão anuais em financiamento climático e acelerar a resposta à crise climática.
Lançado pelos presidentes da COP30 e COP29, o “Mapa do Caminho de Baku a Belém” apresenta uma estratégia para mobilizar US$ 1,3 trilhão anuais em financiamento climático para países em desenvolvimento. Segundo o documento, os recursos já existem, mas precisam ser redirecionados com empenho político e reformas estruturais no sistema financeiro global.
Entre as propostas estão a revisão de regras internacionais, a criação de impostos sobre fortunas, jatinhos, itens de luxo e atividades poluentes, e a troca de dívidas externas por investimentos ambientais. O texto também menciona a necessidade de ampliar o papel dos bancos multilaterais e encorajar o setor privado a adotar modelos de financiamento mais acessíveis.
O Mapa do Caminho estabelece cinco frentes prioritárias até 2035, incluindo subsídios e crédito de baixo custo, equilíbrio fiscal, estímulo a capital transformador, gestão de portfólios climáticos e reformulação das estruturas que hoje direcionam os fluxos financeiros. Para o curto prazo, são listadas 15 ações não obrigatórias para países, empresas e instituições financeiras.
Organizações da sociedade civil avaliam como positivo o foco no financiamento público e o anúncio de um grupo técnico que vai aprimorar os cálculos até 2026. Também destacam a criação de um espaço para discutir o peso da dívida externa no combate à crise climática.
No entanto, críticas se concentram na omissão quanto aos combustíveis fósseis. Especialistas apontam que o roteiro falha ao não propor a eliminação dos subsídios a petróleo, carvão e gás, medida considerada essencial para liberar verbas públicas e acelerar a transição energética justa. Além disso, a Climate Action Network afirma que o plano carece de ações concretas de mobilização de recursos e enfatiza mecanismos de transparência e governança, sem garantir entregas efetivas. Apesar das limitações, o Mapa do Caminho é visto como um passo diplomático importante da COP30.