COP30 herda plano trilionário: “Mapa do Caminho” propõe reforma financeira para financiar a transição verde

“Mapa do Caminho de Baku a Belém” defende nova arquitetura financeira global para investir US$ 1,3 trilhão anuais em financiamento climático e acelerar a resposta à crise climática.

Lançado pelos presidentes da COP30 e COP29, o “Mapa do Caminho de Baku a Belém” apresenta uma estratégia para mobilizar US$ 1,3 trilhão anuais em financiamento climático para países em desenvolvimento. Segundo o documento, os recursos já existem, mas precisam ser redirecionados com empenho político e reformas estruturais no sistema financeiro global.

André Corrêa do Lago, presidente da COP30, conversa com representantes internacionais.
Foto: Rafa Neddermeyer/COP30.

Entre as propostas estão a revisão de regras internacionais, a criação de impostos sobre fortunas, jatinhos, itens de luxo e atividades poluentes, e a troca de dívidas externas por investimentos ambientais. O texto também menciona a necessidade de ampliar o papel dos bancos multilaterais e encorajar o setor privado a adotar modelos de financiamento mais acessíveis.

O Mapa do Caminho estabelece cinco frentes prioritárias até 2035, incluindo subsídios e crédito de baixo custo, equilíbrio fiscal, estímulo a capital transformador, gestão de portfólios climáticos e reformulação das estruturas que hoje direcionam os fluxos financeiros. Para o curto prazo, são listadas 15 ações não obrigatórias para países, empresas e instituições financeiras.

Organizações da sociedade civil avaliam como positivo o foco no financiamento público e o anúncio de um grupo técnico que vai aprimorar os cálculos até 2026. Também destacam a criação de um espaço para discutir o peso da dívida externa no combate à crise climática.

No entanto, críticas se concentram na omissão quanto aos combustíveis fósseis. Especialistas apontam que o roteiro falha ao não propor a eliminação dos subsídios a petróleo, carvão e gás, medida considerada essencial para liberar verbas públicas e acelerar a transição energética justa. Além disso, a Climate Action Network afirma que o plano carece de ações concretas de mobilização de recursos e enfatiza mecanismos de transparência e governança, sem garantir entregas efetivas. Apesar das limitações, o Mapa do Caminho é visto como um passo diplomático importante da COP30.

Parque eólico em campo verde sob céu azul, símbolo das soluções energéticas apoiadas pelo Mapa do Caminho.
Apesar de propor novas fontes de financiamento, o Mapa do Caminho ignora a eliminação dos subsídios a combustíveis fósseis, medida essencial para uma transição energética justa. Foto: Canva Pro.
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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