Colapso dos recifes de corais marca ponto crítico do clima, alerta relatório

Temperaturas extremas dos oceanos levaram ao colapso dos recifes de corais em todo o mundo.  Estudo alerta para risco de colapso em cadeia de outros sistemas vitais.

Cientistas afirmam que a Terra ultrapassou o primeiro ponto crítico de “não-retorno” do sistema climático: o colapso dos recifes de corais. A conclusão é do Relatório Global de Pontos de Inflexão 2025, elaborado por 160 especialistas de 23 países e que deve ser uma referência central nas discussões da COP30, em novembro, em Belém (PA).

Mapa global destacando zonas de risco climático e pontos de inflexão ecológica de colapso dos recifes de corais.
O colapso dos recifes é o primeiro ponto de inflexão climático reconhecido oficialmente. Foto: NOAA/AFP

De acordo com o estudo, o declínio acelerado dos corais teve início quando o aquecimento global ultrapassou 1,2 °C em relação aos níveis pré-industriais. Em 2023, a média já era de 1,45 °C. O calor extremo provocou ondas de calor marinhas históricas em 2023 e 2024, resultando no branqueamento de 80% dos recifes do planeta. 

Esses eventos impedem a recuperação natural dos corais, levando à sua morte em massa. O branqueamento ocorre quando os corais, sob estresse térmico, perdem as microalgas responsáveis por sua coloração e nutrição. A Grande Barreira de Coral, na Austrália, sofreu seis eventos consecutivos de branqueamento entre 2016 e 2025. 

Coral branco devido ao branqueamento causado pelo aquecimento dos oceanos.
Branqueamento extremo dos corais em recifes tropicais, sinal visível da crise climática. Foto: Beatrice Padovani, Reef Check e Peld-TMAS

O colapso dos recifes de corais é uma ameaça à biodiversidade e economia, uma vez que esses ecossistemas abrigam 25% da biodiversidade marinha conhecida, protegem áreas costeiras e sustentam a pesca e o turismo para mais de 500 milhões de pessoas. O valor anual de seus serviços ecossistêmicos ultrapassa US$ 2 trilhões. 

O colapso dos recifes de corais é visto no relatório como um sinal. O texto adverte que, se as emissões continuarem em alta, o planeta pode alcançar de 2,5 °C a 3 °C de aquecimento ainda neste século, o que representa também uma ameaça climática a outros sistemas vitais, com o derretimento das calotas de gelo, a alteração de correntes oceânicas e a perda da Amazônia. 

No Brasil, o turismo em torno dos recifes de corais gera anualmente até R$ 167 bilhões. Apesar do cenário de risco, o relatório também mostra “pontos de inflexão positivos”, como o avanço de energias renováveis e da eletrificação do transporte. Alguns cientistas, como Peter Mumby, também acreditam na possibilidade de adaptação e sobrevivência de algumas espécies de corais.

Recife de coral saudável com peixes coloridos em meio à biodiversidade marinha, contraste ao processo de colapso dos recifes de corais.
Ecossistemas de recifes abrigam um quarto da biodiversidade marinha conhecida e sustentam atividades como pesca e turismo. Foto: Edson Acioli/ICMBIO

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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