Cautelosos, Brasil e EUA conversam sobre meio ambiente e clima

Depois de quase um mês na Casa Branca, o governo Biden ensaia uma cuidadosa aproximação com a gestão Bolsonaro no Brasil, com vistas a aliviar as tensões políticas entre os dois presidentes causadas pela destruição ambiental na Amazônia. O primeiro esforço nesse sentido aconteceu na 4ª feira (17/2), com uma videoconferência entre Ernesto Araújo, Ricardo Salles e o enviado especial de Biden para o clima, John Kerry.

Segundo nota do Itamaraty, a conversa serviu para os dois lados examinarem “possibilidades de cooperação e diálogo (…) na área de mudança do clima e de combate ao desmatamento”.

De acordo com o Estadão, Kerry aproveitou a conversa para convidar Bolsonaro para a cúpula de alto nível que Biden pretende realizar no dia 22 de abril, Dia Mundial da Terra. O encontro pretende servir como preparativo para a Conferência do Clima de Glasgow (COP26), prevista para novembro.

O governo Biden vem sendo pressionado a subir o tom contra o Brasil. No começo do mês, um grupo de ambientalistas e acadêmicos entregou um dossiê que recomendava o congelamento de acordos, negociações e alianças políticas com o país por conta dos ataques do governo Bolsonaro ao meio ambiente e aos Povos Indígenas. No entanto, ao menos de imediato, o tom da Casa Branca deve ser mais amigável, na esperança de que Bolsonaro possa se engajar mais em questões de meio ambiente e clima e na proteção da Amazônia.

E, como Thomas Traumann sugeriu na Veja, o comportamento do novo governo dos EUA indica que a paciência com o Brasil não será eterna. Menos volátil que Trump e mais firme que Obama, Biden está mais interessado em resultados e menos em lacração.

A conversa entre Kerry e os ministros brasileiros foi destacada pela Agência BrasilEstadãoO GloboValor e Veja.

Em tempo: Enquanto tenta resgatar o relacionamento com os EUA, o Brasil segue batendo cabeça quando o assunto é o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. Ontem (18/2), a ministra Tereza Cristina subiu o tom contra as críticas da UE à situação ambiental no país, argumentando que a questão ambiental está sendo usada pelos países europeus para “nos atacar”.

O esperneio, no entanto, não deve convencer ninguém do outro lado do Atlântico. Por lá, a preocupação segue sendo os eventuais impactos negativos da implementação do acordo comercial sobre a situação na Amazônia brasileira. Um grupo de pesquisadores de instituições europeias encaminhou à Comissão Europeia na semana passada um conjunto de propostas para reforçar os mecanismos de monitoramento e implementação dos compromissos ambientais previstos no texto.

Deutsche Welle conversou sobre essas propostas com Carlos Rittl, pesquisador visitante do Instituto de Estudos Avançados em Sustentabilidade de Potsdam (Alemanha) e ex-secretário-executivo do Observatório do Clima.

Fonte: ClimaInfo

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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