O objetivo central é mobilizar a sociedade civil para estimular a reciclagem, o reaproveitamento de materiais descartados durante a festa, fazendo o carnaval sustentável ser um ícone de responsabilidade ambiental
Fazer da folia carnavalesca que se aproxima e encanta a tantos brasileiros um evento mais sustentável está no centro de uma nova proposta pensada pela sociedade civil em São Paulo. O Carnaval Sustentável, iniciativa lançada pelo CADES (Conselho de Meio Ambiente, Desenvolvimento Sustentável e Cultura de Paz) da Subprefeitura de Pinheiros, em São Paulo, propõe transformar essa festa em um símbolo de inovação socioambiental.
O objetivo do projeto é mobilizar a sociedade civil para estimular a reciclagem, o reaproveitamento de materiais descartados durante a festa e políticas públicas que suportem essa causa, tornando o Carnaval um modelo de responsabilidade ambiental, inclusão social e governança participativa.

“Surgiu de forma independente, ouvindo moradores, foliões, blocos de rua, comerciantes locais e grandes patrocinadores para que a festa se torne uma plataforma de transformação socioambiental. Queremos que o Carnaval deixe um legado positivo para todos, desde moradores até grandes patrocinadores, e não apenas um impacto passageiro”, diz Ana Slikta, membro do CADES e organizadora do projeto de Carnaval sustentável.
Produção de lixo é significativa no Carnaval
Durante o último final de semana, com os blocos de pré-Carnaval em São Paulo, foram retiradas mais de 220 toneladas de lixo das ruas da cidade. De acordo com a Prefeitura, o balanço aponta a coleta de 227,7 toneladas de resíduos, sendo 107,85 toneladas de recicláveis e 119,85 toneladas de não recicláveis, compostos por lixo orgânico (restos de comida) e rejeitos (papéis molhados e sujos).
No Rio de Janeiro, a Comlurb recolheu 119,4 toneladas de resíduos durante o quarto e último fim de semana do pré-Carnaval de rua, incluindo os blocos que desfilaram na sexta-feira (21/02). Desde o início oficial da folia, em 1º de fevereiro, o total de lixo coletado na cidade já soma 250 toneladas.

Carnaval sustentável quer ser positivo para o meio ambiente e a economia
Entre as principais medidas do projeto proposto pelo CADES estão:
🔹 Gestão adequada de resíduos e incentivo à economia circular
🔹 Melhoria da infraestrutura para ambulantes, blocos e foliões
🔹 Fortalecimento do comércio local
🔹 Criação de um comitê participativo com moradores, comerciantes e representantes do poder público para garantir decisões democráticas
Além disso, o manifesto defende que patrocinadores assumam compromissos concretos, alinhados aos princípios de ESG (Ambiental, Social e Governança). Isso inclui investir em iniciativas sustentáveis, adotar práticas responsáveis durante o evento e contribuir para reduzir os impactos ambientais do Carnaval.

“Valorizar e integrar pequenos comerciantes e artesãos à cadeia produtiva do Carnaval não apenas estimula a economia dos bairros, mas também cria conexões mais significativas entre a festa e as comunidades que a acolhem. Essa abordagem visa transformar o evento em um motor de desenvolvimento regional, deixando um impacto positivo e duradouro”, diz Flávio Scavasin, coordenador adjunto do CADES Pinheiros.
O movimento já está em articulação com vereadores, lideranças culturais e blocos de Carnaval para fortalecer a iniciativa. Embora seja voltado para o Carnaval de Rua de São Paulo, o manifesto pode servir de inspiração para outras localidades da folia.
