O Brasil que dá certo começa pela Amazônia

“À frente da Suframa, Bosco Saraiva recuperou a autoridade técnica da autarquia, resgatou convergências com o governo federal e devolveu previsibilidade às empresas que sustentam o parque fabril”

Coluna Follow-Up

O Polo Industrial de Manaus encerrou outubro com um desempenho que fala por si: R$ 189,53 bilhões acumulados no ano, dois recordes mensais consecutivos e uma curva de emprego que consolida mais de 131 mil trabalhadores com carteira assinada. Mas o que impressiona não é apenas a força numérica; é o sentido político, econômico e ambiental que esses números carregam. 

Há um enredo mais profundo por trás dessa expansão, que começa no trabalho silencioso e firme da Suframa sob a liderança de Bosco Saraiva e se estende à reconfiguração do diálogo federativo conduzido pelo MDIC. Quando o Amazonas é tratado como parte estratégica do projeto nacional — e não como exceção periférica — os resultados aparecem com clareza.

À frente da Suframa, Bosco Saraiva recuperou a autoridade técnica da autarquia, resgatou convergências com o governo federal e devolveu previsibilidade às empresas que sustentam o parque fabril
Bosco Saraiva no Planalto debate com equipe de Geraldo Alckmin

À frente da Suframa, Bosco Saraiva recuperou a autoridade técnica da autarquia, resgatou convergências com o governo federal e devolveu previsibilidade às empresas que sustentam o parque fabril. Não se trata apenas de acelerar análises ou reorganizar fluxos internos, mas de reconstruir confiança, o insumo mais valioso da indústria. 

E é essa confiança que permite que investimentos cresçam, linhas sejam ampliadas e setores retomem ritmo em cadeias globais cada vez mais exigentes. A Zona Franca reencontrou seu compasso no momento em que o país lhe devolveu escuta qualificada.

O efeito econômico dessa retomada se projeta de forma rápida e robusta. O aumento da produção de motocicletas, aparelhos de ar-condicionado, monitores, tablets e relógios não é apenas um indicador de pujança industrial, mas uma engrenagem que ajuda a suavizar pressões de preços em mercados nacionais essenciais. 

Quando não há escassez, não há inflação artificial; quando a indústria entrega volume e competitividade, o consumidor sente alívio, e o Banco Central ganha margem para manter um ambiente de estabilidade. Não por acaso, a recuperação da indústria amazônica coincide com a queda sustentada da inflação e com a maior redução recente no contingente de brasileiros vivendo abaixo da linha da pobreza. O Norte, que historicamente sofre mais, finalmente participa do ciclo virtuoso da renda com um pouco mais de equilíbrio.

Esse fenômeno não pode ser dissociado da dimensão ambiental. É preciso dizer com clareza: a redução do desmatamento, tão celebrada internacionalmente, está diretamente conectada à vitalidade econômica de modelos que, como a ZFM, geram alternativas reais à economia ilegal. O combate ao desmatamento não se vence apenas com fiscalização; vence-se com desenvolvimento. 

Ao oferecer emprego formal a mais de 130 mil trabalhadores, ao reforçar cadeias tecnológicas limpas e ao financiar ciência, P&D e inovação, a Zona Franca cria as condições para que a floresta em pé seja mais valiosa que a devastação. Não há defesa ambiental possível onde reina a pobreza extrema. A indústria, gostem ou não os seus detratores, continua sendo o principal amortecedor das pressões ilegais sobre o território.

Esse reposicionamento também se manifesta em outro campo: o da diplomacia climática. A preparação para a COP 30 mostrou que o Brasil abriu espaço finalmente, para a Zona Franca apresentar-se como solução — não como problema. O modelo ZFM + ESG, criado pela Suframa com apoio do CIEAM, consolidou um novo padrão competitivo, baseado em rastreabilidade, governança, descarbonização e integração entre tecnologia, bioeconomia e justiça climática. 

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Denis Minev, Bosco Saraiva, Luiz Augusto Rocha, Lúcio Flávio Morais de Oliveira e Régia Moreira Leite

Manaus chegou a Belém, em 2025, com autoridade técnica e moral para afirmar que existe, na Amazônia, um complexo industrial que reduz pobreza, mantém floresta, controla preços, distribui renda e produz riqueza sem romper os limites ecológicos.

Os números divulgados pela Suframa, portanto, não são apenas estatísticas de desempenho. Eles expressam a possibilidade concreta de um Brasil que cresce com responsabilidade, que dialoga com seus territórios e que, na Amazônia, encontra não o seu problema, mas a chave do seu futuro. 

O PIM mostra ao país — e ao planeta — que desenvolvimento regional, estabilidade macroeconômica e proteção ambiental não estão em campos opostos. Pelo contrário: quando integrados, produzem um círculo virtuoso capaz de redefinir o horizonte brasileiro. É esse o recado que o Amazonas envia ao mundo, com dados, trabalho e seriedade. E é esse o país que precisamos mostrar, de cabeça erguida, na COP 30.


Coluna Follow-Up é publicada pelo Jornal do Comércio do Amazonas, às quartas, quintas e sextas-feiras, sob a responsabilidade do CIEAM e coordenação editorial de Alfredo Lopes, consultor da entidade e editor-chefe do portal BrasilAmazôniaAgora

Alfredo Lopes
Alfredo Lopes
Alfredo é consultor ambiental, filósofo, escritor e editor-geral do portal BrasilAmazôniaAgora

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