Brasil: a liderança da bioeconomia mundial

Qual é o maior desafio e o Norte da prioridade do Brasil e da Amazônia, hoje – enquanto segue a assepsia das instituições do Estado de Direito –  senão a gestão das oportunidades de que o país e sua floresta dispõem para empinar um novo padrão global de desenvolvimento? Para oferecer alternativas ao sensacionalismo publicitário da operação mãos limpas tropicais, por que não dar espaço para a construção de uma nova ordem socioeconômica pela qual o tecido social está ávido e disposto a executar? Triste do país que precisa de líderes para conduzir rebanhos. Carecemos, de imediato e desde sempre, apenas de gestores qualificados em todas as instâncias da vida social, desde a condução inteligente do orçamento e da poupança familiar, aos paradigmas de produção de riqueza e execução das tarefas que o burocratismo travou. Trata-se, aqui, de desatar o nó de uma das áreas mais urgentes quando se fala em gestão e educação como fator de transformação da ordem econômica e social: o desenvolvimento de habilidades e o cultivo de talentos. O Doutoramento Interinstitucional entre Amazonas e São Paulo, suas universidades estaduais, UEA/USP, recém-instalado, busca, fundamentalmente, cumprir a emergência dessa imposição na mudança de valores, atitudes e providências.

Amazonas e São Paulo são os parceiros da hora, curiosamente de uma bioeconomia que ganha outras configurações, e se constituiu com a ascensão e desfecho dos ciclos da borracha e do café. Se a Amazônia respondeu por 30 anos por 45% do PIB com a extração da borracha nativa na floresta,  a produção agrícola de café, notadamente a partir de 1910, quando  investimentos migraram da floresta para o Sudeste – foi determinante para construir a locomotiva econômica do Brasil. Por isso, na perspectiva da redução das desigualdades regionais, a hora sugere delinear  um avanço robusto dessa parceria antiga, necessária e  promissora, entre dois estados que se entrelaçam em negócios e pesquisas, notadamente pela expansão de importantes atividades econômicas no país,  dois  ativos financeiros, com passivos sociais e ambientais que carecem de estudos e investigação das dinâmicas evolutivas de seus resultados. Importa, por isso, compreender  a dinâmica de inovação tecnológica  desenvolvida por  São Paulo para se estabelecer  como polo vibrante enquanto a Amazônia – pela abundância perversa de uma riqueza extrativa –  permaneceu região periférica na economia brasileira. Somente com a economia da Zona Franca de Manaus, o III PIB industrial do Brasil, essa relação passa a ser retomada.

Quais desafios de pesquisa e interatividade para compreender o papel de seus respectivos empreendimentos e pioneirismo, na perspectiva da ampliação de vantagens de uma aproximação maior entre Sudeste e Amazônia na área de pesquisa e desenvolvimento, na formulação de novos paradigmas de investigação e de empreendedorismo? Em “Gestão da Amazônia: Ações Empresariais, Políticas Públicas, Estudos e Propostas”, Jaques Marcovitch aponta – no contexto da qualificação de habilidades – os pilares  do desafio de gerenciar o bioma amazônico, 2/3 da geomorfologia nacional: o primeiro deles diz respeito à coleta, articulação e ordenamento de saberes, informações dispersas sobre a região. Anote que menos de 10% do almoxarifado natural foi para análise em laboratórios. Mesmo assim,  partir da base disponível de de dados, já se impõe compor um painel econômico e cultural da Amazônia, para as análises que possam orientar a tomada de decisões para a nova bioeconomia. “Não há outro lugar, em nosso País, tão propício quanto esse para experiências avançadas em biotecnologia ou procedimentos de integração e reencontro do homem com a natureza.”, diz  Marcovitch endossando o olhar sobre a Amazônia da geógrafa Bertha Becker, segundo a qual  os inventários do INPA e do Museu Botânico Emílio Goeldi contribuíram para a formação de importantes acervos e coleções bióticas.

Ao Brasil resta discutir  como aproveitar suas vantagens para liderar a bioeconomia mundial, limpar sua matriz de energia expandindo a alternativa  eólica (ventos) e fotovoltaica (luz solar), a integração entre lavoura, pecuária e floresta. A utopia amazônica, como antecipação da nova realidade potencial nacional, portanto, se materializa ao passar do discurso à mão de obra  da pesquisa e desenvolvimento, com foco em novos fármacos, essenciais à saúde pública, os fitoterápicos, a dermocosmética e a nutracêutica, indústrias da juventude, a partir dos oleaginosas como o cumaru, a copaíba, a andiroba, a castanha do Brasil, o patauá, o buriti e o pau-rosa: a expansão das terapias para a longevidade positivista da nova  ordem da sustentabilidade e da brasilidade… Já!

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal Brasil Amazônia Agora

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