Mártir do feminicídio: beatificação da menina Benigna aguarda 60 mil fiéis

Benigna virou símbolo da luta contra o feminicídio e crimes sexuais contra menores. A cearense foi morta há 80 anos, quando resistiu a um estupro na cidade de Santana do Cariri.

Por G1 -CE

Cerca de 60 mil fiéis são esperados na oficialização do processo de beatificação de Benigna Cardoso da Silva, conhecida como menina Benigna, que ocorre na tarde desta segunda-feira (24), no Parque de Exposição Pedro Felício Cavalcante, no município do Crato, interior do Ceará.

A cerimônia será presidida pelo arcebispo Leonardo Ulrich Steiner, da diocese de Manaus, escolhido pela igreja católica. A beatificação de Benigna foi autorizada pelo Papa Francisco em 2019. O processo antecede a canonização, necessária para tornar Benigna uma santa para a Igreja Católica.

No local do evento já está tudo preparado para receber o público e os religiosos que vão acompanhar a cerimônia. Foi montado um palco de 33 metros de largura por 12 metros de profundidade, tamanho padrão usado nas cerimônias do Vaticano, que faz referência à idade de Cristo e aos 12 apóstolos.

Com a beatificação, a Menina Benigna se tornará a primeira beata cearense e a quarta mártir do Brasil.

Morta aos 13 anos

https://g1.globo.com/ce/ceara/video/romeiros-de-menina-benigna-lotam-ruas-de-santana-do-cariri-em-celebracao-video-de-2018-9948641.ghtml

Benigna nasceu em 15 de outubro de 1928 no Sítio Oiti, em Santana do Cariri, no interior cearense. No dia 24 de outubro de 1941, foi assassinada aos 13 anos por Raul Alves com golpes de facão, ao recusar ter relações sexuais com ele, que morava no mesmo município. 

Após a morte, a menina passou a ser venerada como mártir na região do Cariri e virou símbolo da resistência contra feminicídio e violência sexual contra crianças e adolescentes. 

A recusa da adolescente, junto a fé e devoção cristã, tornaram Benigna uma mártir, que move romarias até hoje.

Processo de beatificação

beatificação
Romaria da Menina Benigna em Santana do Cariri em 2018. — Foto: Reprodução

O processo de beatificação de Benigna começou em 2013, quando a Diocese do Crato recebeu do Vaticano o “Nihil Obstat”, ou seja, o “Nada Impede” para que se pudesse dar início à busca pelo título de beata.

Em 2019, o Papa Francisco reconheceu a história de Benigna para que ela se tornasse a primeira beata cearense e a quarta mártir do Brasil.

A solenidade de beatificação deveria ter ocorrido em outubro de 2020, mas devido à pandemia de Covid-19, o Vaticano adiou a data.

Texto publicado originalmente em G1 GLOBO

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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