Bororé-Colônia é avaliada na área de proteção ambiental em projetos de serviços ecossistêmicos

O projeto de avaliação visa à implementação de políticas públicas para o desenvolvimento sustentável em áreas de pressão e expansão urbanas

Projeto em área de proteção Bororé-Colônia

Com objetivo de oferecer diretrizes técnicas em políticas públicas para a orientação e avaliação de impactos ambientais, o projeto da Escola Politécnica (Poli-USP) é desenvolvido pela professora Amarilis Lucia Gallardo, do Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental, e pela aluna de Engenharia Ambiental Maria Luíza Petroni. A partir do acompanhamento das gestões da Área de Proteção Ambiental (APA) Bororé-Colônia, baseado na avaliação dos impactos ambientais e dos serviços ecossistêmicos, foram traçados mecanismos de uso e manejo de planejamento ambiental. 

20221024 amarilis
Amarilis Lucia Casteli Figueiredo Gallardo – Foto: Fapesp

A professora Amarilis explica que os serviços ecossistêmicos dizem respeito aos benefícios diretos e indiretos que a sociedade obtém, a partir das funções dos ecossistemas: “Oferta de água, produção de alimento e de energia, regulação do clima, polinização, cultura e lazer”, salienta. Devido ao potencial dessas zonas, há uma certa “pressão do desenvolvimento econômico”, por isso, a necessidade de se proteger tais recortes ambientais. 

A importância de estudar a área que compreende a APA Bororé-Colônia tem relação com seu potencial ambiental e seus impactos de desenvolvimento econômico. Maria Luíza explica que, no caso dessa Área de Proteção Ambiental, três unidades de conservação foram criadas com a intenção de “aliviar os efeitos da construção de um trecho do Rodoanel Mário Covas e do processo de expansão urbana desordenada”.  

Tais zonas compreendem importantes remanescentes de Mata Atlântica e cursos de água que abastecem algumas das principais represas paulistas e que também abrangem o cinturão verde do Estado de São Paulo. Além disso, elas são importantes aliadas na melhoria da qualidade de vida da população, como esclarece a professora: “Elas são consideradas verdadeiros ativos ambientais do município, ou seja, possuem muito valor agregado para a sociedade”.

Implementação do projeto 

20221024 maria luiza 1
Maria Luiza Petroni- Foto: Linkedin

O programa elaborado por elas busca conciliar a conservação da paisagem e o desenvolvimento socioeconômico, sob a perspectiva do uso racional dos recursos naturais, apesar de a região apresentar desafios específicos. Um deles é encontrar meios de “amortecer a pressão antrópica”, com o auxílio de pesquisas acadêmicas, nas regiões que compreendem potenciais serviços ecossistêmicos. O estudo também demonstrou de que forma a pressão sobre esses espaços impacta a sociedade como um todo.

Foi com a observação da tomada de decisões sobre o uso e proteção dessas áreas, como os defeitos nas mudanças de uso e de cobertura de terras, além das demandas sobre os serviços, que foram elaboradas cartilhas oferecendo orientações em políticas públicas para a sociedade. A primeira delas teve como objetivo desmistificar e explicar o termo de serviços ecossistêmicos para que o público geral entenda. A segunda cartilha focou no desenvolvimento de projetos “atuando de modo bastante incisivo”, tanto na construção quanto na manutenção e regulação dos espaços que oferecem esses serviços. 

Texto publicado originalmente em JORNAL DA USP

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

II Seminário Floresta Viva Amazonas apresenta resultados e discute restauração da vegetação nativa

II Seminário Floresta Viva, organizado pelo Idesam e parceiros, fortalece debate sobre restauração da vegetação nativa no Amazonas.

Isótopos revelam mudanças nas chuvas na Amazônia durante secas 

Estudo analisa isótopos das chuvas na Amazônia e identifica sinais antecipados de secas prolongadas em Manaus.

Rede de restauração do Cerrado é premiada pela ONU

Projeto de restauração do Cerrado recebe prêmio da ONU. Rede Araticum reúne 180 organizações e quer recuperar 2 milhões de hectares.

El Niño eleva risco de incêndios na Amazônia em 2027, alerta estudo

El Niño pode elevar o risco de incêndios na Amazônia em 2027, alerta estudo que analisou oito episódios do fenômeno desde 2002.