A redução da superfície de água foi identificada em 9 das 12 regiões hidrográficas e em todos os biomas brasileiros. Apenas no Mato Grosso do Sul, redução foi de 57%
A savana brasileira, a mais biodiversa do mundo registrou mais de 4,3 mil km² de área desmatada entre janeiro e dezembro do último ano, 5,7% a mais do que em 2019, de acordo com Mapbiomas
A recém-descoberta Rhamnidium riograndense viajou na mala de um engenheiro florestal por 5 anos e levou outros 5 antes que fosse identificada e descrita pela primeira vez à ciência
Documento inédito do MapBiomas Alerta com dados consolidados dos biomas do país mostra que desmatamento subiu 14% no ano passado e somente 2% tiveram alguma providência do Ibama
A concessão de uma hidrovia amazônica começa muito antes do leilão. Começa pelo reconhecimento de que o rio já possui usuários, economias, culturas e regras de convivência construídas ao longo de gerações. Um contrato pode organizar investimentos e cobrar por serviços comprovadamente entregues, mas sua legitimidade dependerá da capacidade de proteger a vida que precede a concessão e continuará no território depois dela.
A mobilização das entidades do Amazonas para trazer os atores federais ao debate logístico merece ser reconhecida. Durante muito tempo, a navegação amazônica foi tratada em Brasília como uma facilidade concedida pela geografia: rios largos, extensos e aparentemente inesgotáveis dispensariam a disciplina de planejamento reservada às rodovias, ferrovias e portos. As secas de 2023 e 2024 expuseram o preço dessa ilusão. A presença recente do Ministério de Portos e Aeroportos, da Secretaria Nacional de Hidrovias e Navegação e do DNIT abre uma oportunidade que a região não deve desperdiçar. Para aproveitá-la, será preciso qualificar o debate e distinguir uma obra necessária em certos pontos de uma política capaz de organizar todo o sistema.