Com a desculpa de facilitar o combate aos efeitos da Covid-19 na economia nacional, o Brasil, sutilmente, derrete mais ainda as vantagens competitivas do programa Zona Franca de Manaus. Facilitar a importação significa optar por gerar emprego nos países exportadores e reduzir - de modo inapelável - os postos de trabalho nas empresas que fabricam no país. Ou seja, iremos continuar pagando os mais escabrosos tributos do planeta e ampliar postos de trabalho nos países asiáticos. Na prática, vamos sim aliviar os efeitos da COVID-19, tão somente nos países exportadores que vendem para países como o Brasil.
A ofensiva judicial da FIESP contra a Zona Franca de Manaus expõe mais do que um embate tributário. Revela a dificuldade histórica de parte do Brasil em aceitar qualquer redistribuição de competitividade, riqueza e protagonismo econômico fora do eixo tradicional de poder.