A França de Macron tem sido um dos principais obstáculos nesse processo, com o presidente agora reeleito se posicionando repetidas vezes contra o acordo sob a justificativa de que ele trará concorrência desleal de produtores rurais na América do Sul, que não sofrem as mesmas restrições ambientais de seus contrapartes europeus.
A aprovação pela Câmara Federal de sucessivos projetos com previsível impacto negativo sobre o meio ambiente não escapou ao olhar da União Europeia. Segundo...
Aos poucos, o novo ministro do meio ambiente, Joaquim Álvaro Pereira Leite, começa a se posicionar politicamente dentro e fora do governo. No Valor, Daniela...
Segue a movimentação política de europeus e sul-americanos para emplacar o acordo comercial Mercosul-UE. Na 2ª feira (14/12), representantes dos dois blocos se reuniram em Berlim...
A concessão de uma hidrovia amazônica começa muito antes do leilão. Começa pelo reconhecimento de que o rio já possui usuários, economias, culturas e regras de convivência construídas ao longo de gerações. Um contrato pode organizar investimentos e cobrar por serviços comprovadamente entregues, mas sua legitimidade dependerá da capacidade de proteger a vida que precede a concessão e continuará no território depois dela.
A mobilização das entidades do Amazonas para trazer os atores federais ao debate logístico merece ser reconhecida. Durante muito tempo, a navegação amazônica foi tratada em Brasília como uma facilidade concedida pela geografia: rios largos, extensos e aparentemente inesgotáveis dispensariam a disciplina de planejamento reservada às rodovias, ferrovias e portos. As secas de 2023 e 2024 expuseram o preço dessa ilusão. A presença recente do Ministério de Portos e Aeroportos, da Secretaria Nacional de Hidrovias e Navegação e do DNIT abre uma oportunidade que a região não deve desperdiçar. Para aproveitá-la, será preciso qualificar o debate e distinguir uma obra necessária em certos pontos de uma política capaz de organizar todo o sistema.