O Pará, estado que sediará a COP30 em novembro, lidera a lista com o maior número de cidades entre as dez primeiras com pior qualidade de vida na Amazônia Legal, totalizando sete; é lá onde vive o povo indígena Munduruku, que vive sob ameaça de garimpeiros
As dez cidades com pior qualidade de vida do Brasil estão situadas na Amazônia Legal, segundo o Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2025, divulgado pelo Imazon. Este índice avaliou 5.570 municípios brasileiros com base em 57 indicadores sociais e ambientais, revelando que os municípios da região amazônica enfrentam desafios significativos relacionados ao desmatamento, garimpo ilegal, violência e acesso precário à saúde.
As cidades estão entre os estados de Roraima, Pará, Acre e Maranhão. Apenas uma, Japorã, no Mato Grosso do Sul, não se situa dentro da área de floresta da Amazônia Legal. O município com o pior índice é Uiramutã, em Roraima, que se destaca por ter a maior população indígena do país e uma população extremamente jovem, sendo que metade dos moradores tem até 15 anos, segundo o IBGE.
O Pará, estado que sediará a COP30 em novembro, lidera a lista com o maior número de cidades entre as dez primeiras com pior qualidade de vida, totalizando sete, incluindo Jacareacanga. É lá onde vive o povo indígena Munduruku, atualmente sob ameaça devido à presença de garimpeiros em seu território.

Para calcular o IPS, que mede e classifica a qualidade de vida nos 5.570 municípios brasileiros, o levantamento cruzou indicadores de necessidades humanas básicas, fundamentos do bem-estar e oportunidades, este último envolvendo questões como direitos individuais e acesso ao ensino superior.
Os municípios com os piores desempenhos representam 19% de todas as cidades do Brasil. Apesar disso, são cidades grandes que ocupam mais da metade do território nacional: 55%. No ranking, o Pará aparece na última posição (27º), com nota 53,71, precedido pelo Maranhão (26º, com 55,96) e Acre (25º, com 56,29). Outros estados amazônicos também apresentam notas abaixo da média nacional (61,96).

O que impacta na qualidade de vida na Amazônia Legal?
De acordo com o g1, a nota baixa obtida pelas cidades com pior qualidade de vida no Brasil, especialmente nessa região, é influenciada por indicadores como as altas emissões de CO₂ por habitante, a ocorrência frequente de focos de calor e a intensa supressão da vegetação primária e secundária.
Esses dados foram obtidos por meio de fontes como o SEEG (Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa), o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e o Mapbiomas, que monitoram as condições ambientais e os impactos humanos sobre os ecossistemas.

Além disso, esses municípios apresentam os piores desempenhos em componentes essenciais da qualidade de vida, como nutrição, cuidados médicos básicos, acesso à água potável, saneamento e moradia. Esses déficits se refletem em indicadores alarmantes especialmente no Pará e no Maranhão. Além disso, o acesso ao conhecimento básico e à educação superior também é precário, com destaque negativo para municípios do Pará e da Bahia.
