O valor estimado da preservação dos recifes de corais no litoral nordestino brasileiro já é de R$160 milhões; sua presença funciona como barreira natural contra inundações, ressacas e furacões
Os recifes de corais são vitais para a biodiversidade marinha, abrigando ou servindo de passagem para 25% das espécies conhecidas apesar de ocuparem apenas 0,1% dos oceanos do mundo. No entanto, enfrentam impactos diretos da crise climática: entre o fim de 2023 e meados de 2024, cerca de 90% dos corais brasileiros foram atingidos pela quarta onda de branqueamento, um fenômeno causado pelo aquecimento das águas, que rompe a simbiose com algas essenciais à sua sobrevivência. Isso leva ao esbranquiçamento e à morte de muitos desses animais – e pode afetar um patrimônio de aproximadamente R$160 milhões.
Esse é o valor estimado da preservação dos recifes de corais no litoral nordestino brasileiro, segundo um estudo da Fundação Grupo Boticário, repercutido em matéria da Forbes Brasil. O valor considera os benefícios gerados aos setores industriais, portuários, comerciais e residenciais em áreas costeiras com significativa presença desses seres vivos, que funcionam como barreiras naturais contra desastres como ressacas, inundações e furacões.

Além da proteção costeira, os corais exercem funções ecológicas cruciais: ajudam a absorver CO₂ da atmosfera, sustentam a produção primária marinha e o ciclo de nutrientes, e geram cerca de 30 milhões de empregos em atividades como pesca e turismo. A conservação desses ecossistemas, portanto, não é apenas uma medida ambiental, mas também um pilar econômico vital para as regiões litorâneas.
Preservação na prática
Essa preservação depende de um tripé bem estruturado formado por investimento, conscientização e reparação. Embora os esforços demandem anos de trabalho e possam ser desfeitos rapidamente por eventos climáticos extremos, os defensores dos recifes seguem trabalhando em projetos que valorizem os corais no litoral brasileiro.
Um exemplo é o o ReefBank, projeto de inseminação artificial de corais nascido na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Idealizado e coordenado pelo professor Leandro Godoy, a iniciativa aposta na reprodução assistida a partir de protocolos como o congelamento de sêmen de corais. “O que fazemos aqui com os corais é o que clínicas de reprodução humana fazem com casais que têm problema de fertilidade. Só existem quatro grupos de pesquisa no mundo que trabalham com essa biotecnologia”, afirma Leandro em entrevista à Forbes.

“A importância dos recifes de corais é muito maior do que a maioria das pessoas imaginam. Esperamos que o estudo estimule um olhar mais atento da sociedade para esses ecossistemas e inspire uma melhoria nos esforços de conservação. Já é hora de incorporar a avaliação econômica à gestão integrada da nossa zona costeira”, destaca Malu Nunes, diretora executiva da Fundação Grupo Boticário, que conduziu o estudo sobre a avaliação do patrimônio protegido pelos recifes no Brasil.
