Amazônia, a precificação dos serviços ambientais

No último dia 13, sob o título Spatially explicit valuation of the Brazilian Forest’s Ecosystem Services, escrito por uma equipe interinstitucional de pesquisadores, entre os quais vários brasileiros, a revista Nature, a mais respeitável publicação do setor, abordou a necessidade da precificação dos serviços ambientais oferecidos pela floresta amazônica. Trata-se de uma ideia antiga deste Cieam, que buscou trazer a Manaus as equipes de economistas da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) da Universidade de São Paulo, justamente para essa finalidade. Com esse cálculo em mãos, poderemos aferir valores de alguns dos serviços e debater com os interlocutores beneficiados as medidas compensatórios a que temos direito.&nbsp. Recentemente, um dos responsáveis da ONU pela coordenação do Acordo do Clima afirmou que os países que conservam suas florestas devem cobrar por este serviço tão essencial para a saúde do planeta. Fica a dica para que os governadores da região, mobilizamos no mesmo bordão, possam preparar para essa fatura em nome da necessidade de uma economia não-predatória.

Tesouro verde

Diz o artigo: “A floresta amazônica brasileira é tremendamente importante por seus serviços ecossistêmicos, embora a atribuição de valores economicamente mensuráveis permaneça escassa e o mapeamento desses valores é essencial para estratégias de conservação que combinem adequadamente a proteção florestal com o uso sustentável da floresta”.

Nessa direção é que o senador Flecha de Lima, do Pará, conseguiu convencer seus pares para a aprovação do PIB Verde, visando a valoração não apenas de processos de construção da riqueza mas dos conteúdos que, por exemplo, a biodiversidade contém. E nela, realçar os recursos hídricos, dos quais, 20% da água potável habita na floresta. Esses recursos, responsáveis pela umidade elevada na região, através do processo de evapotranspiração, formam verdadeiros rios em estado gasoso, que são levados para o Sudeste do Brasil, para abastecer com chuvas tropicais os reservatórios da região. Quanto custa este serviço? E quem deve pagar a quem essa fatura?

Valoração ambiental do PIM

E o que moveu o Cieam para buscar essa parceria senão oferecer, fundamentalmente, às empresas presentes no Estado e aquelas interessadas em novos investimentos, ferramentas e cenários econômicos através de indicadores que possam balizar oportunidades, rever, ampliar, diversificar negócios e oportunidades a luz de informações confiáveis e necessárias a tomadas de decisão. Quanto vale para uma empresa como a Honda empregar 6 ou 7 mil trabalhadores e impedir, indiretamente, que essas famílias precisem depredar a floresta para sobreviver.

Com números, o setor produtivo poderá resgatar os propósitos e projetos de interesse do Estado, emprestando sua colaboração e habilidades na prospecção e indicação de oportunidades para diversificar a economia, interiorizar os benefícios e promover o desenvolvimento integral sustentável de nossa região. Empenhadas em espantar as sequelas da recessão, ainda muito presente no cotidiano produtivo, as entidades apostam em detalhar o cardápio de oportunidades, dos indicadores econômicos e dos diagnósticos consistentes.

Com informação, inovação, tecnologia, podemos construir um setor produtivo reforçado e dinâmico. Os produtos que compõem proposta da precificação estão sendo alvo de uma leitura rigorosa, detalhada e coerente com o perfil atual e desejável das empresas do setor que produz e responde pela base econômica, que dá emprego, sustentação à receita pública, no cumprimento de suas atribuições legais. Ou seja, quanto mais sólido e próspero este setor, mais resultados socioeconômicos estão assegurados, buscando recuperar, fortalecer a produtividade e competitividade, fatores decisivos na recuperação de emprego, renda e receita pública.

Alfredo Lopes
Alfredo Lopes
Alfredo é filósofo, escritor e editor-geral do portal Brasil Amazônia Agora

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