Brasil sob o signo de Chicago

Diz a física, na Terceira Lei de Newton, que “… toda ação corresponde a uma reação de igual intensidade, mas que atua no sentido oposto”. Neste caso, a força é resultado da interação entre os corpos, ou seja, um corpo produz a força e outro corpo a recebe.

O pensamento marxista, que buscou nos pré-socráticos a interpretação política e econômica desta lei, desenvolveu a ideia da luta de classe como condição de mudança do modo de produção capitalista. Pelo sim ou pelo não, Isaac Newton segue pontificando: “a toda ação corresponde uma reação”.

Olhando o Brasil em suas movimentações históricas, os últimos acontecimentos revelam a influência da visão socialista/marxista na definição precária e corrompida dos rumos do Estado de 2003 a 2016. Temos que reconhecer que, contra esta visão, se deu a ascensão conservadora que se viu nas eleições e no ideário que lhe dá amparo nos ensaios do que vem por aí. O contraponto liberal cresceu, portanto, em cima do fracasso político e administrativo dos grupos de esquerda, que propiciaram a ascensão dos economistas de Chicago.

Do ponto de vista teórico, a Escola de Chicago, uma escola de pensamento econômico que defende o mercado livre, deverá ser a visão predominante na gestão pública. Esse pensamento foi disseminado por alguns professores da Universidade de Chicago, sob a batuta de George Stigler e Milton Friedman, dois premiados com o Prêmio Nobel de Economia.

Ambos deram robustez à teoria neoclássica da formação de preços e ao liberalismo econômico, com rejeição total da regulamentação dos negócios, em favor de um laissez-faire imperativo. “Quem pilota os fatos é a economia positiva”, com estudos empíricos e uso de estatísticas, dando menor ênfase à teoria econômica e maior importância à análise estatística de dados. Pinochet, no Chile, Margareth Tatcher na Inglaterra nos Estados Unidos são os referenciais clássicos do liberalismo feroz baseado na teoria dos preços.

O que se verá, com absoluta torcida, é o desmonte dessa máquina perdulária, ineficiente e corrupta chamada de Estado, com encolhimento da máquina pública, favorecimento à livre concorrência, com menos restrições para empreender e mais promoção da competição em todos os níveis com retirada de obstáculos para fazer negócios inclusive para importar, e mais acesso e transparência nas informações. Setores financeiro, energia, petróleo, química, indústria de transformação em geral e todas as áreas altamente reguladas sentirão os efeitos desse movimento já em 2019. Esta é a intuição de um aluno da Escola de Chicago, o economista e empresário Jaime Benchimol.

O Brasil, depois do fim do regime militar, passou por experiências políticas e administrativas desastrosas, com o crescimento assustador da tributação de empresas e do cidadão comum, sem a contrapartida necessária e justa em termos de serviços públicos. Deixamos de crescer por arrecadarmos muito e gastarmos mal. Esses desastres incluem o crescimento da contravenção em todas as esferas. Isso foi criando um desencanto com grupos políticos messiânicos que juravam combater a corrupção e a levaram a patamares escabrosos.

Dizendo de outro jeito, a visão conservadora que ora se impõe cresceu e se credenciou politicamente em cima do desencanto e da indignação. Foi o fracasso calamitoso das esquerdas que propiciou a ascensão dos Chicago Boys que venceram nos Estados Unidos e agora passam a dar as regras no Brasil. É hora de conferir, com protagonismo e brasilidade, em que tudo isso vai dar e se o país, efetivamente, vai querer mudar.

Alfredo Lopes
Alfredo Lopes
Alfredo é filósofo, escritor e editor-geral do portal Brasil Amazônia Agora

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