Estudo técnico revela que sistemas agroflorestais são financeiramente sustentáveis e fundamentais para ampliar a produção familiar com restauração ecológica na região amazônica.
Um novo estudo técnico acaba de comprovar a viabilidade econômica de sistemas agroflorestais (SAFs) e agrossilvipastoris (SASPs) na Amazônia, fortalecendo sua inclusão em linhas de crédito rural. Produzida pelo Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), com apoio da Embrapa, a publicação oferece coeficientes técnicos, indicadores financeiros e sugestões de integração com políticas de pagamento por serviços ambientais.
A cartilha foi apresentada durante o seminário de encerramento do projeto Finanças Verdes, realizado em Belém (PA), no início de dezembro. Voltada principalmente para jovens rurais, agricultores familiares e povos tradicionais, a análise preenche uma lacuna importante para que bancos aprovem projetos sustentáveis com base em critérios objetivos. O material também propõe a criação de um “rebate ecológico”, um bônus de desconto no pagamento do financiamento para produtores que comprovem melhorias ambientais nos sistemas produtivos.
Esse avanço é estratégico para o Programa Nacional de Florestas Produtivas (PNFP), lançado pelo Governo Federal em julho de 2024, que visa recuperar áreas degradadas por meio de práticas sustentáveis. No Pará, o projeto piloto já beneficia 1.680 famílias em 21 territórios rurais, incluindo assentamentos da reforma agrária, reservas extrativistas e um território quilombola. As ações incluem assistência técnica, capacitação, instalação de viveiros e irrigação, além de suporte para acesso ao crédito.
Segundo o pesquisador Everaldo Nascimento, coordenador do projeto no estado, o investimento inicial por hectare pode chegar a R$ 45 mil, valor muitas vezes inacessível sem apoio financeiro. Ao traduzir o potencial produtivo e ambiental dos sistemas agroflorestais em números, a cartilha pode se tornar um instrumento decisivo para destravar esses investimentos e ampliar o alcance de políticas públicas voltadas à sociobiodiversidade. Com isso, espera-se impulsionar a adoção de sistemas agroflorestais como caminho viável para a produção sustentável na Amazônia.

