Desastre de Mariana: Pesquisadores encontram metais pesados em alimentos na região

Resíduos do desastre de Mariana afetam cadeia alimentar no Espírito Santo, com frutas contendo metais acima dos limites recomendados por órgãos internacionais.

Uma pesquisa realizada por cientistas da USP, da Ufes e da Universidade de Santiago de Compostela (Espanha) detectou concentrações elevadas de elementos potencialmente tóxicos (EPTs) em alimentos cultivados no estuário do rio Doce, em Linhares (ES). A região foi impactada pelos rejeitos de mineração da barragem de Fundão (MG), rompida há dez anos.

O estudo aponta que bananas produzidas nesses solos podem oferecer risco à saúde de crianças de até seis anos, principalmente devido à presença de chumbo e cádmio em níveis acima dos limites estabelecidos pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

A análise envolve banana, mandioca e cacau cultivados em solos afetados pelo desastre de Mariana. Os pesquisadores correlacionaram os teores de metais pesados nas partes comestíveis das plantas com a composição química dos solos contaminados por óxidos de ferro, principais constituintes dos rejeitos.

Embora os riscos estimados para adultos tenham ficado abaixo do nível considerado preocupante, o Índice de Risco Total (IRT) para crianças, no caso da banana, ultrapassou o limiar de segurança. O cacau apresentou acúmulo relevante de cobre e chumbo em suas partes comestíveis, também excedendo os valores máximos recomendados.

Imagem da destruição causada pelo desastre de Mariana, mostrando a extensão dos rejeitos que alcançaram áreas agrícolas.
Área devastada pelo desastre de Mariana, cujo rejeito atingiu o rio Doce e continua impactando solos agrícolas no Espírito Santo. Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil.

Os dados foram publicados na revista Environmental Geochemistry and Health e integram a tese de doutorado da agrônoma Amanda Duim, desenvolvida na Esalq-USP com apoio da FAPESP. A tese, premiada pela USP e pela Capes em 2025, já resultou em sete artigos científicos. Segundo os cientistas, os impactos do desastre de Mariana não se limitam à contaminação de água e solo, mas podem atingir diretamente a cadeia alimentar.

A exposição prolongada a elementos como chumbo e cádmio está associada a danos renais, cardiovasculares e neurológicos, além de riscos cumulativos que podem, a longo prazo, aumentar a incidência de câncer, especialmente entre populações expostas desde a infância.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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