Startup transforma biodiversidade amazônica em tecnologia que acelera cicatrização

Inovação baseada na biodiversidade amazônica gera soluções para feridas complexas e cosméticos, conectando ciência, sustentabilidade e desenvolvimento econômico na região.

Uma startup brasileira vem apostando na integração entre ciência de ponta e recursos naturais da Amazônia para desenvolver produtos de alto valor agregado. Fundada em 2023, a BioSpin nasceu a partir de uma pesquisa acadêmica e hoje atua na criação de tecnologias baseadas em nanofibras bioativas, com aplicações nas áreas de saúde e dermocosméticos. 

O empreendimento, que tem como base a biodiversidade amazônica, foi idealizado por Andrey Marcos Pinho da Silva, doutor em Ciência e Engenharia de Materiais pela Universidade Federal de Santa Catarina. Após concluir o doutorado, o pesquisador retornou a Manaus com o objetivo de levar o conhecimento científico para além do ambiente acadêmico e transformá-lo em soluções práticas.

Andrey Marcos Pinho da Silva, fundador da BioSpin, pesquisa aplicações da biodiversidade amazônica em nanotecnologia para saúde
Andrey Marcos Pinho da Silva idealizou a BioSpin a partir de pesquisa acadêmica, transformando a biodiversidade amazônica em soluções inovadoras. Foto: Divulgação.

A proposta da empresa é utilizar compostos extraídos da biodiversidade amazônica para desenvolver produtos inovadores, agregando valor a insumos que tradicionalmente são comercializados como commodities. Entre os destaques do portfólio estão um curativo biodegradável voltado ao tratamento de feridas complexas e um sérum regenerativo com ativos naturais.

O curativo, desenvolvido com tecnologia de nanofibras, forma uma película ultrafina aplicada diretamente sobre a lesão. A estrutura libera substâncias bioativas que auxiliam na regeneração celular, com foco em casos como o pé diabético, condição associada a 28 amputações diárias no Brasil, segundo o Ministério da Saúde. O produto passa por testes em pacientes para validação clínica e regulatória, etapa necessária antes da entrada no mercado em larga escala.

Já o sérum regenerativo utiliza ingredientes da biodiversidade amazônica, como copaíba, pracaxi, castanha-do-brasil e cumaru. Com produção ainda limitada, o item já é comercializado localmente e integra a estratégia inicial de geração de receita da startup.

Sérum regenerativo desenvolvido com ativos da biodiversidade amazônica é comercializado em Manaus
Produto à base de biodiversidade amazônica já é vendido em Manaus e integra estratégia de inovação da BioSpin. Foto: Divulgação.

A trajetória da BioSpin também inclui participação em programas de incentivo ao empreendedorismo na região. A empresa foi selecionada em iniciativas apoiadas pelo Sebrae Nacional e por aceleradoras voltadas à bioeconomia, garantindo recursos e apoio técnico para o desenvolvimento das tecnologias.

Entre 2024 e 2025, a startup captou cerca de R$ 190 mil para avançar na maturação dos produtos. O objetivo agora é escalar a produção e alcançar níveis mais avançados de desenvolvimento tecnológico, como o TRL 7, que indica testes em ambiente operacional.

Além do foco em inovação, a BioSpin também prevê impacto socioambiental. A empresa planeja destinar parte dos lucros para comunidades extrativistas da Amazônia, fortalecendo cadeias produtivas locais e incentivando o uso sustentável dos recursos naturais. Nesse contexto, a valorização da biodiversidade amazônica também se conecta à geração de renda e à conservação da floresta.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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