Florestas africanas já emitem mais carbono do que absorvem, diz estudo

Pesquisa internacional aponta que as florestas africanas já não compensam emissões, evidenciando impactos do desmatamento e lições urgentes para a proteção de florestas tropicais, como a Amazônia. 

As florestas africanas deixaram de ser sumidouros de carbono e passaram a contribuir para o aumento das emissões de carbono. Um estudo internacional recente aponta que, após décadas funcionando como importantes sumidouros de CO₂, esses ecossistemas inverteram seu papel e hoje liberam mais carbono do que conseguem absorver.

A pesquisa, publicada na revista Scientific Reports e conduzida por cientistas ligados ao National Centre for Earth Observation, no Reino Unido, revela que essa mudança começou a se consolidar após 2010. Até então, as florestas do continente apresentavam saldo positivo de captura de carbono, mas o avanço do desmatamento e da degradação ambiental alterou esse equilíbrio nas florestas africanas.

Para chegar aos resultados, os pesquisadores utilizaram dados de satélite combinados com técnicas de aprendizado de máquina, analisando mais de uma década de informações sobre biomassa florestal, indicador que mede o carbono armazenado na vegetação. O levantamento identificou uma queda acentuada na capacidade de retenção de carbono, especialmente entre 2010 e 2017, período em que o continente perdeu cerca de 106 bilhões de quilos de biomassa por ano.

Imagem aérea mostra área de desmatamento, com troncos de árvores cortadas empilhados e clareiras abertas na vegetação. Desmatamento é a principal causa da transformação das florestas africanas em emissoras de carbono.
O desmatamento é a principal causa do aumento das emissões de carbono nas florestas africanas, ao liberar o CO₂ armazenado nas árvores e reduzir a capacidade natural de absorção da vegetação. Foto: Pok Rie/Pexels

As maiores perdas foram registradas em florestas tropicais úmidas, principalmente na República Democrática do Congo, em Madagascar e em regiões da África Ocidental. Embora as áreas de savana tenham apresentado algum aumento de vegetação, esses ganhos foram insuficientes para compensar a perda nas florestas densas.

O estudo acende um alerta para a política climática global. Com a redução da capacidade natural de absorção de carbono, cresce a pressão sobre outros setores para reduzir emissões de gases de efeito estufa, especialmente para cumprir as metas do Acordo de Paris e limitar o aquecimento global a 2°C.

Além disso, os dados têm impacto direto no mercado de carbono e em iniciativas internacionais de financiamento climático. Programas como o AFR100, que busca restaurar 100 milhões de hectares de paisagens degradadas até 2030, são apontados como caminhos possíveis para reverter a tendência, junto com o fortalecimento da governança florestal e o combate ao desmatamento ilegal nas florestas africanas.

Os pesquisadores destacam que a situação reflete uma transformação no balanço global de carbono. Caso essa tendência se mantenha, o papel dos ecossistemas naturais na regulação climática pode ser significativamente comprometido, tornando ainda mais urgente a adoção de medidas coordenadas entre governos, setor privado e organizações internacionais.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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