A agroecologia pode trazer segurança alimentar, tornar o solo mais produtivo e reduzir o impacto do plantio no meio ambiente, mantendo os jovens engajados em técnicas sustentáveis
Quando se fala em agricultura na Amazônia, o foco costuma recair sobre o desmatamento, a expansão da pecuária e o avanço da soja sobre áreas de floresta. No entanto, existem experiências que mostram uma alternativa mais sustentável.
É nesse cenário que a agroecologia ganha força, oferecendo um modelo que alia produção de alimentos, preservação ambiental e permanência dos jovens no campo. Um exemplo prático é o de Willians Santana, 26, jovem agricultor familiar de São Miguel do Guaporé, em Rondônia, que compartilhou sua trajetória e visão sobre o tema em entrevista ao programa de rádio Nacional Jovem.
“Desde quando me entendi por gente, estive na agricultura familiar, sou da quarta geração da minha família envolvida. Pra gente, o forte sempre foi a cafeicultura”, conta Santana, que é formado em contabilidade e escolheu permanecer no campo para transformar a propriedade da família com práticas inovadoras dentro da agroecologia.
“Eu queria usar algumas práticas naquele plantio para ter uma produção com a melhor qualidade, mas em que não tivesse tanto agrotóxico. Nasce aí a ideia de fazer uma transição agroecológica. Depois fui entender de fato a importância da agroecologia e trazer essa realidade para dentro da comunidade. Hoje, tem quase 4 anos que estamos nessa transição, porque não é do dia pra noite, e a gente já diminuiu bastante o uso de agrotóxicos”, completa.
Sistemas agroflorestais beneficiam produtividade e meio ambiente
Os Sistemas Agroflorestais (SAFs), nos quais culturas como o café são cultivadas junto a espécies nativas e agrícolas, representam uma alternativa mais sustentável em relação à monocultura tradicional. Esses sistemas oferecem maior resiliência frente a eventos climáticos extremos, promovem a biodiversidade e garantem sustentabilidade a longo prazo.
Isso acontece porque os SAFs mantêm o solo mais fértil, reduzem a erosão e criam microclimas mais equilibrados. Além disso, sequestram mais carbono e favorecem a presença de diferentes formas de vida, o que melhora serviços ecossistêmicos como a polinização e o controle de pragas — diminuindo, assim, a necessidade de insumos externos.
A diversidade de espécies ainda age como um controle natural de pragas e doenças, já que muitos agentes nocivos são específicos de determinadas plantas, o que torna mais difícil sua propagação em ambientes biodiversos.