ZFM ainda insegura, mesmo depois da Reforma Tributária

“A Reforma Tributária, embora tenha tentado preservar mais amplamente a ZFM, não atingiu o objetivo em sua plenitude, deixando vulnerável a produção industrial em Manaus ao longo das próximas décadas. Existem empresas no PIM que estrategicamente mantêm plantas fora da ZFM por falta de confiança no regramento brasileiro, para as quais possam migrar mais rapidamente se o cenário de vantagens fiscais do PIM se modificar. Nem duas BR-319 vão impedir a decisão”

Por Juarez Baldoino da Costa
___________________________

A cada nova MP, a cada nova investida em PPB e a cada nova alíquota de tributos, Brasília deve ser o centro de reparos a ser buscado, numa repetição histórica e inconveniente da equação ZFM & Brasil, ainda não resolvida. A regulamentação da EC 132/2023 não vai poder modificar o estado de insegurança jurídica ao qual a Zona Franca de Manaus ainda está suscetível.

Como exemplo, há a MP 1205/2023 que tem recebido emendas para incluir motocicletas e bicicletas elétricas entre os produtos incentivados pelo programa Mover- Programa Mobilidade Verde e Inovação; os fabricantes destes produtos no PIM– Polo Industrial de Manaus e os investidores que estejam prospectando e definindo suas ações para novos empreendimentos no setor de 2 rodas, poderão rever sua expectativa com a ZFM.

ZFM ainda insegura, mesmo depois da Reforma Tributária
foto: Maria Arayssi/Unsplash

Há ainda o pedido feito ao Ministério do Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) para modificação do PPB – Processo Produtivo Básico para fabricação de compostos químicos, alterando o conteúdo de alguns insumos e encarecendo o custo de fabricação no PIM, facilitando o mercado da baiana Braskem, principal interessada e uma das proponentes da alteração.

A Reforma Tributária, embora tenha tentado preservar mais amplamente a Zona Franca de Manaus, não atingiu o objetivo em sua plenitude, deixando vulnerável a produção industrial em Manaus ao longo das próximas décadas. Existem empresas no PIM que estrategicamente mantêm plantas fora da ZFM por falta de confiança no regramento brasileiro, para as quais possam migrar mais rapidamente se o cenário de vantagens fiscais do PIM se modificar. Nem duas BR-319 vão impedir a decisão.

ponte manaus iranduba

Os trabalhadores que não desejarem acompanhar estas empresas em seus novos endereços, ou não sejam escolhidos por elas, terão que buscar novas oportunidades locais, o que pode ser um problema dada a configuração econômica do Amazonas. Eles são uma força política pouco atuante, talvez por falta de esclarecimento sobre o que de fato lhes representa a Zona Franca de Manaus. Dependendo de quando ocorra a mudança de cenário, as Novas Matrizes Econômicas que o estado tem buscado poderão não estar ainda gerando postos de trabalho suficientes.

A vigília continua.

reforma tributária indústria zona franca de manaus amazonas Juarez Baldoino da Costa

Juarez é Amazonólogo, MSc em Sociedade e Cultura da Amazônia – UFAM, Economista, Professor de Pós-Graduação e Consultor de empresas especializado em ZFM.

Juarez Baldoino da Costa
Juarez Baldoino da Costahttps://brasilamazoniaagora.com.br/
Juarez Baldoino da Costa é Amazonólogo, MSc em Sociedade e Cultura da Amazônia – UFAM, Economista, Professor de Pós-Graduação e Consultor de empresas especializado em ZFM.

Artigos Relacionados

Amazonas enfrenta a fumaça com a prevenção ainda em segundo plano

O convênio  referente à emenda do senador Omar AZIZ,...

Anne Carson e a dignidade humana no tempo do embrutecimento

O Nobel de Literatura de 2026 reconhece uma obra...

A democracia no banco de trás

“Polarização, anarquia e uma conversa durante uma corrida de...

Infraestrutura, o debate da hora no Amazonas

"Ao reunir TCE-AM e TCU para discutir o Custo...

A Argentina é logo ali

"A presença de Javier Milei no palanque de Flávio...