ZFM sufoca as novas matrizes econômicas

A atividade econômica do Amazonas já existente atualmente com as fábricas de artigos da floresta como medicamentos, cosméticos e alimentos, por estarem em sua grande maioria atreladas aos incentivos fiscais e até cadastradas na Suframa, fazem parte da ZFM e, portanto, não são Novas Matrizes Econômicas.”

Por Juarez Baldoino da Costa
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A ZFM suga a estrutura do estado e sufoca o processo de pensar as Novas Matrizes Econômicas (NME) ligadas à floresta. Estas NME não serão complementares à ZFM, mas sim substitutas integrais à alternativa atual dos incentivos fiscais que se extinguirá em 2073; não fosse este o motivo, talvez até nem seriam tão buscadas pelo Amazonas.

O fato de ambas as alternativas em determinado período somarem resultados será apenas fruto da transição dos processos. Portanto, só se poderia chamar as NME de complementares à ZFM se esta não tivesse prazo de término. São Paulo ao produzir açaí está, aí sim, complementando seu portfólio econômico e somando o resultado à sua indústria em geral porque ela não tem data prevista de duração; o açaí paulista não é uma alternativa substitutiva.

A atividade econômica do Amazonas já existente atualmente com as fábricas de artigos da floresta como medicamentos, cosméticos e alimentos, por estarem em sua grande maioria atreladas aos incentivos fiscais e até cadastradas na Suframa, fazem parte da ZFM e, portanto, não são NME. Ainda, não está claro se estas empresas conseguiriam operar depois de 2073.

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As exceções da ZFM são os minerais que não têm ligação nem com a floresta, nem com o DL 288, e seguem cronograma e estratégias próprias do mercado, como no caso do petróleo no Amazonas ou do pré-sal marítimo, ou com o nióbio de Minas Gerais ou o do Amazonas.

Embora de vital importância para o futuro do Amazonas, a velocidade de geração de resultados pelas NME não tem sido como se espera porque depende de pelo menos 2 fatores: (1) é um tipo de economia ainda com mercado imaturo, com produtos em processo de definição e muitos ainda em pesquisa, além do ambiente pouco conhecido geográfica e cientificamente; (2) as prefeituras não têm instrumentos para sua alavancagem, o governo federal não tem substituto para o DL 288, as entidades de classe e o PIM (Polo Industrial de Manaus) não têm esta função e o Governo Estadual não tem estrutura a elas voltada especificamente.

Sem um grupo de trabalho exclusivo para se dedicar às NME, as perspectivas são de atingir metas somente em longuíssimo prazo, talvez mais longo do que o horizonte de 2073. Entre as estratégias possíveis estaria a criação de um fundo especial com recursos gerados pela ZFM nos próximos 50 anos para utilização a partir de 2073 poderia ajudar a garantir as condições que permitiriam ao Amazonas avançar na incerta fase pós extinção dos incentivos fiscais.

Este fundo especial não se confunde com os fundos já existentes e que também serão extintos, que têm o objetivo de fomentar o desenvolvimento da estrutura econômica desde 2003, mesmo que os resultados ainda sejam de pouca expressão e até possam também contribuir no futuro com as NME.

Se a partir de 2023 as NME não produzirem a cada ano pelo menos 2% do que a ZFM produz hoje, só uma nova prorrogação do DL 288 poderá suprir o orçamento do estado daqui a 50 anos.

Brasil Amazônia
Juarez Baldoino da Costa é Amazonólogo, MSc em Sociedade e Cultura da Amazônia – UFAM, Economista, Professor de Pós-Graduação e Consultor de empresas especializado em ZFM.
Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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