Senadores sugerem envio das Forças Armadas ao Vale do Javari

Os membros da Comissão Temporária do Senado sobre a Criminalidade na Região Norte aprovaram na última 3ª feira (16/8) um relatório que pede a ação das Forças Armadas no Vale do Javari, região onde o indigenista Bruno Pereira e o jornalista Dom Phillips foram assassinados em junho.

O texto sugere ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, que atue junto ao ministério da defesa e ao comando militar para viabilizar uma missão de Garantia da Lei e da Ordem (GLO). Outra sugestão é a reabertura da base do IBAMA em Atalaia do Norte (AM), fechada na atual gestão.

“As Forças Armadas dispõem de meios e capilaridade muito superiores aos dos órgãos de segurança pública na região amazônica, incluindo sofisticados sistemas de vigilância”, disse o relator da comissão, senador Nelsinho Trad (MS). “O Estado tem negligenciado o seu especial dever de proteção. Mesmo que se possa discutir a legitimidade dos interesses de não-indígenas sobre áreas não-homologadas, como defende a atual gestão da FUNAI, não há sombra de dúvida de que a presença dos invasores nas terras já homologadas, como a do Vale do Javari, é um emaranhado de crimes contra os indígenas, contra a União e contra os interesses nacionais”.

Amazônia Real e Valor repercutiram a notícia. 

Garimpo no Vale do Javari

Ainda sobre a situação indígena na Amazônia, Sônia Bridi e Paulo Zero mostraram no Fantástico (TV Globo) o impacto do avanço do garimpo sobre as aldeias na Terra Indígena Yanomami, em Roraima. Há anos, lideranças indígenas vêm pedindo à União que retire os mais de 20 mil garimpeiros invasores que exploram a área, trazendo doenças, violência e fome às comunidades. “Realmente a doença que entra junto com os invasores, a doença nunca sai. Nunca sai, não tem pessoa que tira essa doença”, lamentou Davi Kopenawa.

Em tempo: Um dos nomes mais polêmicos envolvidos na operação do Exército contra guerrilheiros na região do Araguaia, nos anos 1970, o ex-militar Sebastião Rodrigues de Moura, vulgo Major Curió, morreu nesta 4a feira (17/8) em Brasília, aos 87 anos. A Comissão Nacional da Verdade documentou os crimes cometidos por Curió na repressão, mas ele escapou de responsabilização judicial devido à Lei da Anistia. Nos anos 1980, Curió também teve destaque no garimpo de Serra Pelada, onde fez fortuna política e econômica – a ponto de ter seu próprio apelido inscrito no nome do município de Curionópolis, no Pará. Mais recentemente, Curió foi recebido com pompa e circunstância pelo presidente da República no Palácio do Planalto. A Folha deu a notícia.

Texto publicado originalmente em CLIMA INFO

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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