Conheça o peixe da Amazônia que cria um campo elétrico para “ver” em águas profundas 

Descrito a partir de exemplares do rio Tefé, no Amazonas, o peixe elétrico da Amazônia usa a eletrolocalização para explorar águas profundas e turvas.

Um peixe de focinho comprido e tubular integra a diversidade de espécies encontradas nas águas profundas da região amazônica. Chamado de Sternarchorhynchus curumim, ele foi descrito por pesquisadores a partir de exemplares coletados no canal principal do rio Tefé, no Amazonas.

O peixe elétrico da Amazônia pertence a um grupo capaz de produzir e detectar sinais elétricos, recurso que auxilia na percepção do ambiente. Sua descrição científica foi publicada em 2006, na revista Zootaxa, pelos pesquisadores Carlos David de Santana e William G. R. Crampton.

Para diferenciá-lo de outros peixes do mesmo gênero, os cientistas examinaram características como as proporções do corpo, a pigmentação e a quantidade de escamas. O trabalho também reuniu informações sobre a ecologia do animal e suas descargas elétricas.

Características do peixe

O Sternarchorhynchus curumim é um tipo de ituí, nome usado para peixes encontrados em rios da América do Sul. O focinho estreito e alongado do peixe elétrico da Amazônia está associado à busca por pequenos invertebrados no fundo do rio.

Na identificação da espécie, os pesquisadores analisaram a coloração do corpo e das nadadeiras, além do número de escamas acima da linha lateral, uma estrutura sensorial presente nos peixes. As proporções corporais também ajudaram a distingui-la de parentes próximos. A descrição formal permite que outros cientistas reconheçam a espécie e usem essas informações em pesquisas sobre a fauna da região.

Orientação por sinais elétricos

Nas águas turvas e profundas, a visão tem alcance limitado. Nesse ambiente, os sinais elétricos ajudam o peixe elétrico da Amazônia a perceber o que está ao redor por meio da eletrolocalização.

O animal produz um campo elétrico e detecta alterações provocadas por objetos próximos. Essa capacidade contribui para a exploração do ambiente e a busca por alimento. Sinais elétricos também podem atuar na comunicação entre indivíduos.

O estudo do peixe elétrico da Amazônia ilustra a importância de investigar os canais profundos dos rios da região, onde a coleta de animais exige métodos e equipamentos específicos. Conhecer as espécies que vivem nesses ambientes ajuda a preencher lacunas sobre a biodiversidade aquática amazônica.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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