Brasil: 1.000 dias de destruição

Como Jair Bolsonaro se tornou o negacionista climático mais perigoso do mundo

O governo de Jair Bolsonaro chega a Glasgow para a COP26 todo trabalhado no greenwash. Seu novo ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, prometeu mostrar “um Brasil real” no pavilhão de 200 metros quadrados co-patrocinado pelo lobby da indústria. Ao contrário do quadro pintado por ONGs e ambientalistas, que, na visão do governo, “conspiram contra o desenvolvimento do país”, o tal “Brasil real” é um lugar onde o crime ambiental é enfrentado com tolerância zero; onde o desmatamento e as emissões de carbono estão caindo; onde os povos indígenas têm a chance de prosperar; cuja NDC está entre as mais ambiciosas do mundo; e que vai atingir a “emissão líquida zero” em 2050 e acabar com o desmatamento ilegal bem antes de 2030.

​Todos nós gostaríamos de poder viver em um país assim. Mas, desgraçadamente, o Brasil de Bolsonaro é o que a gente já sabe. Nenhum discurso verde pode apagar o fato de que, desde que Bolsonaro assumiu o cargo, uma área de floresta do tamanho da Bélgica virou cinza só na Amazônia. Ou que o Brasil foi provavelmente o único país do G20 a aumentar suas emissões de carbono no ano pandêmico de 2020. Ou que as políticas racistas de Bolsonaro em relação aos povos indígenas o tornaram o único presidente brasileiro a ser denunciado no Tribunal Penal Internacional. No momento, enquanto você lê este texto, cerca de 25 mil garimpeiros estão invadindo e devastando a Terra Indígena Yanomami. O governo não fez nada para expulsá-los até que o Supremo Tribunal Federal o obrigasse; pior do que isso, pressiona por uma mudança na lei para legalizar a mineração em terras indígenas. Em outubro, duas crianças Yanomami foram sugadas por uma draga numa balsa de garimpo e morreram afogadas.

Nenhuma promessa de bom comportamento pode corrigir a NDC do Brasil, que retrocede na ambição e é questionada nos tribunais; ou reverter três anos de um desmonte sistemático e eficiente de regulamentos ambientais e das agências de fiscalização. Mais importante ainda, nada que o regime brasileiro possa dizer à comunidade internacional em Glasgow obsta o fato de que uma série de projetos de lei apoiados pelo governo e apresentados para votação no Congresso pode dizimar povos tradicionais e a floresta amazônica, sem a qual o Acordo de Paris vira letra morta.

No relatório disponível neste link, você encontrará uma cronologia não exaustiva do desastre imposto aos brasileiros – e ao resto da humanidade – pelo mais perigoso negacionista do planeta.

Confira o documento clicando aqui

Fonte: Observatório do Clima

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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