Abraciclo aposta no diálogo para recolocar a Amazônia no centro da agenda nacional

A Amazônia continua sendo um dos temas mais discutidos do país, mas ainda pouco compreendida em sua dimensão econômica. É justamente essa lacuna que a série Diálogos Amazônicos, organizada pela Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV EESP), busca reduzir ao reunir especialistas, gestores públicos, empresários e pesquisadores em torno de uma agenda permanente de desenvolvimento regional.  

Na próxima segunda-feira (30), às 19h, o projeto promove mais uma edição virtual, desta vez dedicada ao tema “Infraestrutura Aeroportuária na Amazônia”, debate que conta com o apoio institucional da Abraciclo, associação que representa os fabricantes de motocicletas, bicicletas, ciclomotores e motonetas instalados majoritariamente no Polo Industrial de Manaus (PIM).  

ABRACICLO
 (Foto: Yuri Pinheiro/)

A discussão reunirá o secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do Amazonas, Serafim Corrêa, e o coordenador comercial do Terminal de Cargas da Vinci Airports, Prieto Aires. A mediação será do professor da FGV Márcio Holland, coordenador da série. O foco será compreender como a infraestrutura aeroportuária pode contribuir para reduzir custos logísticos, integrar os territórios amazônicos e apoiar uma economia de baixo carbono.  

Na Amazônia, aeroportos cumprem funções que extrapolam a mobilidade de passageiros. Em diversas localidades, representam a principal porta de entrada para medicamentos, equipamentos industriais, alimentos, cargas de alto valor agregado e serviços públicos essenciais.

A dimensão continental da região, a baixa densidade da malha rodoviária e a existência de inúmeros municípios acessíveis apenas por rios ou por via aérea fazem da infraestrutura aeroportuária um componente estratégico para a competitividade econômica e para a integração nacional.

Segundo os organizadores, discutir aeroportos significa também debater logística inteligente, eficiência energética, redução de emissões e capacidade de atração de investimentos sustentáveis.  

O apoio da Abraciclo ao projeto – que se agrega às demais entidades da Zona Franca de Manaus- reflete a importância da logística para um setor cuja produção está concentrada em Manaus e abastece todo o território brasileiro.

A associação representa 15 fabricantes e tem como missão fortalecer a competitividade do setor de duas rodas, promovendo políticas industriais, segurança viária e desenvolvimento tecnológico. Hoje, o segmento gera aproximadamente 18,7 mil empregos diretos em Manaus e mais de 150 mil postos de trabalho em toda a cadeia nacional, além de posicionar o Brasil entre os maiores produtores mundiais de motocicletas e bicicletas.  

Para esse parque industrial, a eficiência logística não é apenas uma variável operacional. Ela influencia diretamente custos, prazos de entrega, competitividade internacional e capacidade de expansão de novos investimentos.

Os Diálogos Amazônicos consolidaram-se como um dos principais fóruns nacionais dedicados à economia da Amazônia.

A iniciativa nasceu para ampliar o debate sobre temas frequentemente ausentes das discussões públicas, como bioeconomia, infraestrutura, empreendedorismo, inovação, transportes, transição energética, reforma tributária e desenvolvimento regional. Desde sua criação, já promoveu dezenas de encontros virtuais, conferências presenciais, livros, e-books e publicações técnicas voltadas à formulação de políticas públicas para a região.  

Ao longo dessa trajetória, a série tem reunido ministros, governadores, parlamentares, pesquisadores, empresários e representantes da sociedade civil, fortalecendo uma visão segundo a qual desenvolvimento econômico e conservação ambiental devem caminhar de forma integrada.

A realização do webinar ocorre em um momento em que a Amazônia ocupa posição central nas discussões sobre competitividade, segurança logística, integração sul-americana e preparação do Brasil para consolidar uma economia de baixo carbono.

Nesse contexto, ampliar o diálogo entre academia, setor produtivo e poder público deixa de ser apenas um exercício de reflexão para se tornar parte da construção de soluções capazes de conectar infraestrutura, inovação e sustentabilidade em uma região que reúne alguns dos maiores ativos ambientais e econômicos do planeta.  

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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