Em mais um ensaio sobre Democracia, publicado em A Crítica deste 25.06.2026, José Seráfico faz um alerta sobre a erosão silenciosa da democracia brasileira. Para ele, o processo eleitoral vem sendo progressivamente contaminado pelo abuso do poder econômico, pela compra de apoios, pela desinformação e pela substituição do debate de ideias por estratégias de manipulação. Essa degradação enfraquece a confiança nas instituições, empobrece a escolha do eleitor e cria um ambiente favorável ao avanço de práticas autoritárias. Diante desse cenário, o autor conclama a sociedade a exercer um voto consciente, baseado no histórico, nas propostas e na conduta dos candidatos, como forma de preservar a legitimidade da democracia.
Por Alfredo Lopes – BrasilAmazoniaAgora
Uma democracia saudável não elimina conflitos, mas transforma interesses divergentes em diálogo institucional. Quando essa mediação desaparece, a disputa tende a migrar para a lógica da força, do dinheiro, da mentira ou da polarização permanente.
O alerta de José Seráfico – Facas e punhaladas – é menos sobre uma eleição específica e mais sobre um processo silencioso de erosão institucional. A democracia não costuma morrer apenas em golpes de Estado. Muitas vezes ela vai perdendo qualidade eleição após eleição, quando o cidadão deixa de escolher entre projetos e passa apenas a reagir a campanhas cuidadosamente desenhadas para capturar sua atenção, seus medos e suas emoções.
É essa degradação cotidiana que torna o ambiente fértil para soluções autoritárias, ainda que elas se apresentem sob o discurso da renovação ou da eficiência.
A democracia também depende de um ecossistema informacional saudável. Por essa razão, o fortalecimento do jornalismo profissional, da imprensa independente e das iniciativas de verificação de fatos constitui elemento essencial para assegurar que o debate público se desenvolva sobre bases objetivas e verificáveis.
Por tudo isso, é desejável estimular processos eleitorais orientados por programas de governo comparáveis, acompanhados de metas, indicadores e compromissos verificáveis, permitindo que o eleitor avalie candidatos a partir da consistência de seus projetos e da capacidade de implementação das políticas propostas.
Além de todas essas medidas permanece um desafio maior: recuperar a política como espaço de construção coletiva, onde ideias possam ser confrontadas com argumentos, evidências e respeito institucional. A democracia alcança sua melhor expressão quando o voto resulta de reflexão consciente e informação qualificada, e não da força do dinheiro, da manipulação emocional ou da circulação sistemática de desinformação.
Que o eco deste brado alcance, mais e mais, mentes e corações dispostos a zelar pela Democracia.