Zona Franca de Manaus: A Perspectiva dos Que Não Viram e o Depoimento dos Que Experimentaram ao Vivo

Visita de especialistas a Manaus reforça a importância da Zona Franca de Manaus e propõe ampliação do debate para São Paulo e outros centros econômicos

Por Alfredo Lopes

Por muito tempo, a Zona Franca de Manaus (ZFM) tem sido alvo de percepções distantes, muitas vezes equivocadas, sobre seu impacto econômico, social e ambiental. Para quem nunca esteve na região, a ideia predominante é a de uma área incentivada, sem grandes contribuições ao país e à indústria nacional. sem conhecer, condenam o modelo fabril que dá suporte à economia regional. Entretanto, para aqueles que a visitam e conhecem sua dinâmica de perto, a realidade se apresenta de forma muito diferente.

Essa foi a experiência de Haroldo da Silva e Carolina Pavese, dois especialistas em desenvolvimento industrial sustentável, economia circular, que estiveram recentemente em Manaus e puderam vivenciar in loco o funcionamento da ZFM, suas indústrias e seu ambiente institucional. O contraste entre a visão de quem nunca esteve na região e a percepção de quem a experimenta ao vivo ressalta a necessidade de um debate mais aprofundado e realista sobre o modelo econômico amazônico.

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Foto; Tadeu Jnr/Unsplash

“Se não fosse a Zona Franca, teríamos o caos”

Haroldo da Silva, economista e especialista em desenvolvimento industrial, destacou que a ZFM não é apenas um modelo de benefícios fiscais, mas uma correção necessária diante das desigualdades regionais do Brasil. “Os paulistanos, por exemplo, nem se dão conta de que o motoboy que entrega seus pedidos de comida usa uma motocicleta fabricada em Manaus. O ar-condicionado que ameniza o calor da Faria Lima provavelmente veio de uma fábrica daqui. E até mesmo a Coca-Cola, que harmoniza com a pizza paulista, tem um elo com a Amazônia, pontuou.

Para ele, a inexistência da Zona Franca significaria um cenário de caos econômico e social na região Norte. “Olhando de fora, talvez se tenha a impressão de que a ZFM é apenas um privilégio concedido a uma parte do país. Mas, ao observar de dentro, vemos uma estrutura institucional bem organizada, uma coesão de objetivos e um modelo econômico que precisa ser fortalecido, e não atacado”, argumentou Haroldo.

“Levar essa agenda para São Paulo”

Carolina Pavese, especialista em economia circular e ESG, reforçou a importância de ampliar o debate sobre a Zona Franca para outros centros econômicos, especialmente São Paulo. Para ela, há eventos importantes no calendário de sustentabilidade, como a Climate Week e as discussões do Itaú Cubo, onde se fala muito sobre a Amazônia, mas raramente se ouvem representantes da própria região.

“Precisamos levar essa história para São Paulo. Nada melhor do que um interlocutor local para explicar a importância da ZFM e como ela contribui para o desenvolvimento sustentável do Brasil”, defendeu Carolina.

Além disso, ela ressaltou que a economia circular pode ser um fator estratégico para fortalecer a ZFM no cenário nacional e internacional. “Muitas empresas ainda veem ESG como um custo, algo que só entra no orçamento se houver lucro no fim do ano. Mas aqui em Manaus, percebemos que o conceito já está sendo incorporado na gestão de muitas indústrias. A exigência de um planejamento de economia circular para empresas incentivadas é um avanço que pode tornar a ZFM uma referência global no tema”, afirmou.

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ZFM: um modelo replicável?

Haroldo da Silva fez ainda uma provocação: será que a Zona Franca de Manaus já não representa um modelo de economia sustentável que poderia ser replicado em outras regiões? Ele citou a teoria da economista Kate Raworth, autora da “Economia Donut”, que defende um equilíbrio entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental.

“A Zona Franca já opera dentro dessa lógica. O problema é que o mundo ainda enxerga apenas o PIB como métrica de sucesso, sem considerar aspectos sociais e ambientais. Se conseguirmos avançar nessa tese, podemos mostrar que Manaus já é um laboratório da economia do futuro”, concluiu.

Por fim, os depoimentos de Haroldo da Silva e Carolina Pavesi reforçam que a percepção sobre a Zona Franca de Manaus muda radicalmente quando se tem a oportunidade de conhecê-la de perto. Mais do que um polo industrial, a ZFM representa um modelo de desenvolvimento regional que equilibra economia, meio ambiente e inclusão social.

A questão agora é ampliar esse debate para que mais pessoas e tomadores de decisão entendam sua relevância e contribuam para sua evolução. Afinal, como bem pontuou Haroldo: “O que o Brasil fará? Acolherá aqueles que querem se integrar ou ignorará um dos modelos mais sólidos de desenvolvimento sustentável do país?”.

alfredo
Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal Brasil Amazônia Agora

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