Zona Franca de Manaus, a roda gigante da sinergia construtiva

De uma vez por todas, padece de sentido afirmar que este ou aquele setor da Zona Franca de Manaus tem mais vantagens ou gera mais empregos ou menos empregos, pois a roda gigante da economia funciona de acordo com o desempenho de cada um de seus pilares. E se a sinergia enfraquece em algum ponto, os outros devem assumir conjuntamente a correção circunstancial sob o risco de todos perecerem como querem alhures.

Por Nelson Azevedo
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Criada há em 1957 e ajustada, dez anos depois, por Roberto Campos e Arthur Amorim, dois especialistas em Diplomacia e Economia, a Zona Franca de Manaus (ZFM) representa o programa estratégico de desenvolvimento regional mais efetivo na redução das desigualdades entre o Norte e o Sul do Brasil, de que se tem notícia. E o segredo de seu sucesso, curiosamente, reside na integração equilibrada e equitativa dos diversos setores econômicos que a compõem. Sua eficácia não se deve à predominância ou benefício desproporcional de um setor sobre o outro, mas sim à sinergia criada entre eles.

Zona Franca de Manaus, a roda gigante da sinergia construtiva

Assumindo a co-responsabilidade

Indústria, comércio/serviços e agricultura, cada um contribui de maneira essencial para o crescimento econômico e desenvolvimento social da região. Suas dificuldades, portanto, sinalizam o movimento constante e necessário na direção de seus ajustes. Por isso, se eventualmente, alguma autoridade, acobertada pela representação popular, se manifesta em contrário, com a autoridade a mim conferida, como dirigente de entidade da indústria, posso publicamente assumir a co-responsabilidade pelo eventual desalinhamento. Falha de comunicação e de informações claras. Nada, porém, que não possamos ajustar.

Incentivos da Indústria

Começando pela indústria, a ZFM oferece isenções de Imposto de Importação (II) e Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), bem como reduções significativas no Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e na Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) para empresas que investem em pesquisa e desenvolvimento. Esses incentivos promovem um ambiente favorável para a inovação e para a competitividade industrial, vitais para o progresso tecnológico e econômico da região.

zfm foto Andre Pessoa edited
foto: André Pessoa

Comércio e Serviços

No comércio, a isenção de II e IPI para mercadorias importadas, juntamente com os incentivos fiscais para pesquisa e desenvolvimento, estimulam um mercado dinâmico e diversificado, essencial para atender as necessidades da população local e para promover o comércio na região. Quanto aos serviços, a isenção de impostos sobre serviços prestados na ZFM e os incentivos fiscais para pesquisa e desenvolvimento fomentam um setor de serviços robusto e inovador, capaz de apoiar as demais áreas econômicas e oferecer empregos de qualidade para a população local.

A bioeconomia e a agricultura

A agricultura, por sua vez, passo a passo com a bioeconomia, recebe isenções de II e IPI para máquinas e equipamentos importados, além de isenção de ICMS para mercadorias agropecuárias produzidas localmente. Isso não apenas estimula a produção agrícola, mas também incentiva práticas de pesquisa e desenvolvimento no setor, essenciais para a sustentabilidade e eficiência da agricultura na região Amazônica.

Colheita de frutas da agricultura familiar em Apui Amazonas. Foto Dereck Mangabeira Idesam. bioeconomia

Além dos incentivos fiscais, a ZFM também oferece benefícios como financiamentos subsidiados, infraestrutura de qualidade e programas de qualificação profissional. Estes fatores contribuem para a criação de um ambiente de negócios atrativo, incentivando o investimento de empresas de diversos setores, gerando emprego e renda para a população local.

O papel vital de cada um

Portanto, é inadequado afirmar que um setor específico na ZFM seja mais beneficiado ou mais importante que outro. A realidade é que cada setor desempenha um papel vital na engrenagem econômica da região, e é a interdependência e o equilíbrio entre eles que potencializam o desenvolvimento regional. Nosso convite semanal e nas rodas de discussão sempre prioriza a unidade na diversidade. Parodiando o beato João XXIII, o papa que abriu as portas da Igreja para o ecumenismo, podemos proclamar que o segredo da ZFM está em nossa habilidade de priorizar o que nos une e deixar de lado o que nos divide. A razão é simples: divididos somos mais fracos para os adversários, portanto, facilmente podemos ser derrotados.

E se a sinergia enfraquece…

Enfim, a promoção de intrigas ou alegações de favorecimento desequilibrado não só são infundadas, mas também desviam a atenção dos verdadeiros objetivos da ZFM, que são a redução das desigualdades regionais e o fomento de um crescimento econômico sustentável e inclusivo. De uma vez por todas, padece de sentido afirmar que este ou aquele setor da Zona Franca de Manaus tem mais vantagens ou gera mais empregos ou menos empregos, pois a roda gigante da economia funciona de acordo com o desempenho de cada um de seus pilares. E se a sinergia enfraquece em algum ponto, os outros devem assumir conjuntamente a correção circunstancial sob o risco de todos perecerem como querem alhures.

Nelson Azevedo

Nelson é economista, empresário e presidente do sindicato da indústria Metalúrgica, Metalomecânica e de Materiais Elétricos de Manaus, conselheiro do CIEAM e vice-presidente da FIEAM.

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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