Zona Franca de Manaus: a floresta em pé como ativo econômico, climático e estratégico do Brasil

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Poucas vezes a Amazônia esteve tão presente nas disputas globais quanto agora. O debate deixou de ser exclusivamente ambiental para ocupar o centro das discussões sobre segurança climática, soberania nacional, financiamento internacional e competitividade econômica. Nesse contexto, ganha relevância uma pergunta recorrente: qual foi, afinal, a contribuição da Zona Franca de Manaus para a preservação da maior floresta tropical do planeta?

A resposta precisa partir dos fatos. O Amazonas mantém cerca de 97% de sua cobertura florestal original, percentual que contrasta com as extensas áreas convertidas para atividades agropecuárias em outras partes da Amazônia Legal. Evidentemente, a preservação não decorre de um único fator. Terras indígenas, unidades de conservação, fiscalização ambiental e características geográficas desempenham papel decisivo. Ainda assim, ignorar a contribuição da Zona Franca de Manaus significa desconsiderar uma das mais importantes experiências de desenvolvimento regional da história brasileira.

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Criador: Brazil Photos

Ao concentrar atividade econômica, arrecadação, emprego e renda em um polo urbano-industrial, o modelo reduziu pressões econômicas que, em outras regiões amazônicas, resultaram na substituição da floresta por pastagens, monoculturas e exploração predatória dos recursos naturais. Não por acaso, o Brasil volta a defender internacionalmente uma lógica que valoriza economicamente a conservação.

O Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), liderado pelo governo brasileiro, representa justamente essa mudança de paradigma. Pela primeira vez, busca-se criar um mecanismo permanente de remuneração para países que mantêm suas florestas preservadas. A iniciativa reconhece uma verdade simples: conservar gera benefícios globais e, portanto, deve produzir retorno econômico para quem protege.

Essa visão dialoga diretamente com o caminho que a Amazônia precisa trilhar. Em vez da substituição da cobertura florestal por atividades de baixa agregação de valor, a região possui oportunidades associadas à bioeconomia, aos bioinsumos, aos fármacos, aos cosméticos, aos alimentos funcionais, aos créditos ambientais, à biotecnologia e aos serviços ecossistêmicos. Parte dessa estratégia já encontra respaldo em instrumentos como o Programa Prioritário de Bioeconomia da Suframa.

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FOTO: Tiago Corrêa/UGPE e Paula Pessoa/UGPE

O debate ganha ainda mais relevância diante das narrativas internacionais que associam simplificadamente a Amazônia ao desmatamento. Algumas dessas interpretações foram utilizadas para justificar medidas protecionistas recentes e pressões comerciais contra o Brasil. O paradoxo é evidente: enquanto setores estrangeiros apontam a floresta como justificativa para restrições econômicas, cresce simultaneamente o interesse global pelos recursos estratégicos da região, incluindo biodiversidade, água, minerais críticos e ativos ambientais.

Nesse cenário, a antiga máxima que inspirou a criação da Zona Franca de Manaus permanece atual. Integrar para não entregar continua sendo uma política de soberania. Não apenas pela ocupação econômica do território, mas pela construção de alternativas capazes de gerar prosperidade sem destruir a base natural que sustenta o futuro da Amazônia.

A floresta em pé deixou de ser apenas uma agenda ambiental. Tornou-se um ativo econômico, climático e geopolítico. E poucos instrumentos contribuíram tanto para essa realidade quanto a Zona Franca de Manaus.

Alfredo Lopes
Alfredo Lopes
Alfredo é filósofo, escritor e editor-geral do portal Brasil Amazônia Agora

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