Levantamento do ICMBio revela que 184 animais entraram na lista de espécies ameaçadas de extinção desde 2022 e ressalta a urgência da conservação.
A fauna brasileira possui 790 espécies ameaçadas de extinção, segundo o levantamento mais recente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Desse total, 337 são consideradas vulneráveis, 286 estão em perigo e 163 enfrentam risco crítico de desaparecer.
A lista inclui ainda três espécies possivelmente extintas e uma extinta na natureza. Outras nove já não são encontradas no território brasileiro, nem mesmo sob cuidados humanos. Desde 2022, 184 animais foram acrescentados ao levantamento, enquanto 158 deixaram de integrar a relação de espécies ameaçadas de extinção.
Para o ICMBio, a lista funciona como um diagnóstico da biodiversidade brasileira e orienta a definição de prioridades. Animais submetidos aos maiores riscos precisam receber atenção especial nas políticas e nos projetos de conservação.
Entre os animais que enfrentam risco estão as tartarugas marinhas. Em oito estados, a Fundação Projeto Tamar desenvolve pesquisas, ações de proteção e atividades de educação ambiental. No Espírito Santo, o projeto atua na conservação de quatro das seis espécies de tartarugas presentes na lista nacional.
As visitas orientadas e as iniciativas interativas realizadas nos centros do Tamar também aproximam a população dos problemas ambientais que afetam a fauna. Para os pesquisadores, a informação é uma ferramenta importante para ampliar o envolvimento da sociedade com a preservação.
Reprodução renova esperança para o mutum
Outro exemplo dos desafios enfrentados pela conservação das espécies ameaçadas de extinção é o mutum-do-nordeste, ave que desapareceu da natureza. Aproximadamente 250 indivíduos vivem atualmente sob cuidados humanos no Brasil.
No Zoológico de Belo Horizonte, um casal da espécie conseguiu se reproduzir naturalmente. O resultado foi considerado especialmente relevante porque os pais incubaram os ovos, o filhote rompeu a casca sem auxílio e recebeu cuidados do casal. Segundo a instituição, esse tipo de reprodução não ocorria desde 1970.
Além da proteção dos habitats, pesquisadores destacam a necessidade de ação contínua e afirmam que é preciso ampliar estudos, investimentos e ações educativas voltadas às espécies ameaçadas de extinção.