ZFM: discussões sem evidências

A ZFM, desde a sua criação, prorrogações, marco constitucional e diversos altos e baixos, após cada reforma, parece não enfrentar os maiores dissabores em relação às pessoas, mas parece deixar um traço robusto de oportunidades não consideradas.

Por Augusto Cesar Barreto Rocha
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Ao que tudo indica, em breve entraremos em um debate mais amplo sobre a reforma tributária e isso afetará as vidas de quem mora em Manaus e no Amazonas. Recorrentemente somos confrontados: até que ponto existiu sucesso na Zona Franca de Manaus (ZFM)? Até que ponto ela fracassou? Em busca de respostas fáceis e rápidas, muitos se apressarão em dizer que ela é perfeita ou um fracasso completo. Todavia, o espaço das evidências é pouco visitado.

Como política pública, em algo terá fracassado e em algo acertado. Deliberar com serenidade as suas virtudes e fracassos estimularia uma busca de evolução. Quem parece estar interessado nisto? Não percebo ninguém no debate público apontando acertos e desacertos. Há os dois lados, entrincheirados em argumentos sólidos e falaciosos, misturados em uma única panela de falas.

Será importante se a imprensa especializada, “especializada” e em geral começasse a se posicionar contrastando argumentos mais sólidos sobre a questão, para que possamos emergir ao final do processo da reforma tributária com uma melhor política pública, que enfrente as fraquezas do marco legal atual e construa a sua evolução.

A ZFM, desde a sua criação, prorrogações, marco constitucional e diversos altos e baixos, após cada reforma, parece não enfrentar os maiores dissabores em relação às pessoas, mas parece deixar um traço robusto de oportunidades não consideradas.

ZFM
Desigualdades Regionais – Charge reproduçao Internet

Ainda sinto como seus maiores problemas as mesmas questões que deram origem à ZFM, que são as desigualdades regionais. A questão tributária, de emprego, seleção ultra-ultra-cautelosa dos segmentos incentivados, métodos produtivos, cadeias produtivas, equilíbrio da balança comercial e outros aspectos menores foram bem enfrentadas. Os problemas de infraestrutura e de peso tributário excessivo da região também seguem intocados. E isso é pouco deliberado.

O Amazonas não pode seguir a ser uma unidade da federação que recebe tão pouco investimento por habitante ou por quilômetro quadrado, tendo tantas desigualdades e tanta extensão territorial. A ausência de ações para explorar o que seria razoável como vocação: desenvolvimento do uso sustentável dos recursos naturais, com a capacidade de inserir indústrias e atividades sem rastros de destruição ainda são enigmas não solucionados. 

Tenho a impressão de que deveremos liderar estas pautas, pois não será interesse dos debates públicos sudestinos, nordestinos, sulistas ou do planalto central, a não ser que capturemos estes motes como centrais de nosso clamor. Ter a serenidade de admitir fragilidades e fortalezas devem ser bases da ação, ajudando a recuperar a capacidade de dialogar.

Fora disto, estaremos fadados a entrar em uma arena onde perderemos com facilidade. Pelo menos, é o que me parece, olhando a curva do tempo, em especial nos momentos de vitórias pírricas, retumbantes ou das derrotas evidentes, que tipicamente são negadas, o que é muito triste.

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Augusto Cesar é professor da UFAM.

Augusto Rocha
Augusto Rocha
Augusto Cesar Barreto Rocha é professor da UFAM

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