Grande Barreira de Corais enfrenta risco extremo com novo El Niño

Cientistas alertam que um possível Super El Niño pode intensificar o branqueamento da Grande Barreira de Corais e provocar perdas ecológicas irreversíveis.

A formação de um possível “Super El Niño” no Oceano Pacífico pode provocar um episódio extremo e generalizado de branqueamento na Grande Barreira de Corais, na Austrália. Cientistas alertam que o fenômeno poderá causar perdas irreversíveis, incluindo extinções localizadas de espécies e o colapso de partes do ecossistema. O alerta foi apresentado durante o Simpósio Internacional sobre Recifes de Coral, realizado em Auckland, na Nova Zelândia. Segundo Morgan Pratchett, pesquisador da Universidade James Cook, existe uma probabilidade elevada de que o próximo branqueamento em massa alcance grande extensão e intensidade.

O branqueamento ocorre quando temperaturas oceânicas muito altas levam os corais a expulsar as algas microscópicas que vivem em seus tecidos e fornecem grande parte de sua energia. Sem essa relação, os organismos perdem a coloração, ficam enfraquecidos e se tornam mais vulneráveis a doenças e à morte. Embora o processo possa ser revertido caso a água volte a esfriar, eventos prolongados ou sucessivos diminuem a capacidade de recuperação das colônias. Desde 2016, a Grande Barreira de Corais enfrentou seis episódios de branqueamento em massa. O mais recente ocorreu entre 2024 e 2025.

A preocupação dos pesquisadores é que o aumento adicional da temperatura do Pacífico provocado pelo El Niño aconteça antes da recuperação dos danos anteriores. Nesse cenário, determinadas áreas poderão ultrapassar limites ecológicos críticos e perder parte significativa de sua biodiversidade. Com aproximadamente 2,3 mil quilômetros de extensão, o recife abriga milhares de espécies e sustenta atividades econômicas como pesca e turismo.

Sua degradação também reduz a proteção natural oferecida às regiões costeiras contra ondas fortes e tempestades. Para os especialistas, a ameaça à Grande Barreira de Corais está diretamente ligada ao aquecimento global, impulsionado principalmente pela queima de carvão, petróleo e gás. O professor Ove Hoegh-Guldberg, da Universidade de Queensland, comparou a crise a um navio que afunda enquanto seus passageiros ainda não reconhecem a gravidade da situação. Os cientistas defendem cortes rápidos nas emissões de gases de efeito estufa. Sem a redução do uso de combustíveis fósseis, medidas locais de conservação poderão ser insuficientes para impedir novas perdas no ecossistema.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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